Instalação inusitada em Berlim expõe cães-robôs com cabeças de bilionários da tecnologia que ‘produzem’ arte digital
Um museu em Berlim apresenta uma instalação artística surpreendente: cães-robôs com cabeças de silicone hiper-realistas de figuras como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos. A peculiaridade? Os robôs ocasionalmente “fazem cocô” de imagens impressas.
A obra interativa, intitulada “Regular Animals”, é do artista americano Beeple (Mike Winkelmann) e está em exibição na Neue Nationalgalerie. A instalação chama a atenção pela combinação de tecnologia, arte e crítica social.
As imagens expelidas pelos robôs são capturadas por câmeras que registram o ambiente. Em seguida, uma inteligência artificial transforma as fotos para que se assemelhem à visão de mundo da personalidade representada no robô. Além dos magnatas da tecnologia, a exposição inclui robôs com as faces de Kim Jong-un, Pablo Picasso e Andy Warhol.
Cada robô produz um estilo de imagem diferente: o cão com o rosto de Pablo Picasso gera imagens cubistas, enquanto o inspirado em Andy Warhol produz fotos no estilo pop art. Os organizadores explicam que a exposição é uma reflexão sobre como os algoritmos e as plataformas tecnológicas moldam nossas percepções.
Beeple afirma que, no passado, a visão de mundo era influenciada por artistas, mas que hoje essa função cabe aos bilionários da tecnologia, que “decidem o que as pessoas veem ou deixam de ver por meio de seus códigos poderosos”. A obra foi originalmente apresentada na Art Basel Miami Beach 2025, onde as fotos produzidas pelos robôs eram acompanhadas de certificados que as descreviam ironicamente como “100% orgânicas”.
Em alguns casos, as imagens continham códigos QR que davam acesso a NFTs (tokens não fungíveis) gratuitos, permitindo que o público pudesse monetizar a arte digital. Beeple é um dos artistas vivos mais valorizados do mundo, ocupando o terceiro lugar em preços de leilão, atrás apenas de David Hockney e Jeff Koons. Em 2021, ele vendeu uma colagem digital por mais de US$ 69 milhões em um leilão da Christie’s, marcando a primeira vez que uma casa de leilões ofereceu uma obra puramente digital com um NFT como garantia de autenticidade e aceitou criptomoedas como pagamento. O artista é conhecido por criar e publicar uma nova imagem online todos os dias, em um movimento que descreve como críticas à sociedade moderna e às redes sociais por meio de cenários distópicos.
Com informações do G1