Senado dos EUA aprova indicado de Trump para o Fed

Indicação de Kevin Warsh, escolhido por Trump para o Fed, avança no Senado americano em meio a tensões com o atual presidente do banco central

A Comissão Bancária do Senado dos EUA aprovou nesta quarta-feira (29) a indicação de Kevin Warsh, escolhido pelo presidente Donald Trump para liderar o Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A aprovação abre caminho para que Warsh suceda Jerome Powell no cargo.

Todos os 13 republicanos do comitê apoiaram Warsh. O senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, retirou sua oposição após o Departamento de Justiça encerrar uma investigação criminal contra Powell, que ele considerava uma ameaça à independência do Fed. Os 11 democratas do comitê votaram contra a indicação, expressando dúvidas sobre a promessa de Warsh de definir políticas sem levar em conta os desejos do presidente.

A votação ocorreu em um momento crucial, com Powell liderando o que provavelmente será sua última reunião de definição de política monetária como chefe do Fed. A expectativa é que o Comitê Federal de Mercado Aberto mantenha a taxa básica de juros inalterada, na faixa de 3,50% a 3,75%, devido à inflação ainda elevada e à pressão de alta sobre os preços causada pela interrupção do fornecimento global de petróleo.

A confirmação de Warsh pelo Senado parece provável. O advogado de 56 anos, financista e ex-diretor do Fed, prometeu uma “mudança de regime” no banco central, e, segundo Trump, executará os cortes de juros desejados pelo presidente americano. A votação no Senado pode ocorrer na semana de 11 de maio, permitindo que Warsh assuma o cargo em 15 de maio, ao final do mandato de Powell.

Resta incerteza sobre o futuro de Powell no Fed. Ele poderá deixar o cargo ou permanecer como membro da diretoria. Trump já ameaçou demiti-lo, o que certamente enfrentaria contestações legais, como a tentativa anterior de demitir a diretora Lisa Cook. Powell, cujo mandato na diretoria vai até janeiro de 2028, considerou a investigação criminal do governo uma intimidação política. Ele afirmou que não deixará o Fed até que a investigação seja concluída com “finalidade”, e que pode permanecer no cargo se achar que isso é melhor para o banco central e para o país.

A Procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, declarou que não hesitará em retomar a investigação “caso os fatos o justifiquem”. Democratas do Senado, como Elizabeth Warren e Dick Durbin, classificaram essa declaração como uma ameaça de “futuras investigações infundadas” contra Powell ou outros diretores do Fed.

Com informações do G1

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