Muitos consumidores questionam a diversidade de cores e a presença de manchas nas cascas dos ovos de codorna. Embora a variação possa gerar dúvidas, a ciência veterinária explica que esse fenômeno é perfeitamente normal e está diretamente ligado a fatores biológicos e genéticos de cada ave.
De acordo com o médico-veterinário Carlos Pozzebom, responsável por uma operação de coturnicultura com cerca de 5.400 aves em Coronel Freitas (SC), a singularidade de cada ovo é a regra, não a exceção. “Essa diversidade acontece pela genética das aves. Cada ovo vai ter a sua coloração, diferentes tamanhos, manchas. Cada ovo é único”, explica o especialista.
Tecnicamente, a coloração da casca é resultado de pigmentos produzidos por glândulas localizadas no útero da ave. É a carga genética de cada codorna que determina se a tonalidade final do produto tenderá mais para o marrom, o azul ou o verde, criando os padrões visuais observados no mercado.
O ciclo de produção é intenso: as codornas colocam um ovo a cada 23 horas. A pigmentação ocorre na etapa final da formação do ovo, especificamente durante a calcificação da casca. É nesse momento que os pigmentos são depositados, definindo as cores e os desenhos característicos.
No entanto, a cor da casca também serve como um indicador de saúde e eficiência produtiva. Ovos que permanecem constantemente esbranquiçados podem ser um sinal de alerta para o produtor, indicando que a ave pode estar enfrentando problemas fisiológicos ou ambientais.
Segundo Pozzebom, a ausência de pigmentação pode ser causada por deficiência nutricional ou estresse. Entre os fatores estressantes estão a falta de luminosidade adequada, temperaturas elevadas ou a superlotação das gaiolas, o que impacta diretamente a produtividade da granja.
Para garantir o bem-estar animal e a qualidade da produção, as aves necessitam de aproximadamente 18 horas de luz diárias, combinando iluminação natural e artificial. Além disso, a temperatura ideal de criação deve ser mantida entre 20 °C e 25 °C.
O manejo do espaço também é crucial para evitar o estresse hídrico e comportamental. “Várias aves dentro de uma gaiola podem fazer com que elas se sintam em um ambiente muito apertado e fiquem estressadas”, afirma o veterinário. Para mitigar esse risco, a recomendação técnica adotada em granjas é a manutenção de, no máximo, 10 codornas por metro quadrado.
Com informações do G1