Os dois teatros da Amazônia escolhidos pela Unesco foi o Teatro Amazonas (esquerda) e Theatro da Paz (direita). Fotos: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas e Reprodução/Semas Pará
Os teatros que há séculos simbolizam a história e a riqueza cultural da Amazônia passaram a integrar oficialmente a Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. Em decisão anunciada nesta segunda-feira (27), durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, em Busan, na Coreia do Sul, o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, foram reconhecidos como um único bem cultural seriado, denominado “Teatros da Amazônia”. Com a inscrição, o conjunto se torna o primeiro patrimônio cultural da região Norte do Brasil a receber o título de Patrimônio Mundial da Unesco.
O reconhecimento é resultado de um processo iniciado oficialmente em janeiro de 2025, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apresentou à Unesco um dossiê elaborado em parceria com o Ministério da Cultura, Ministério das Relações Exteriores, governos estaduais e prefeituras de Manaus e Belém. Desde então, a candidatura passou por análises técnicas conduzidas pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), órgão consultivo responsável por avaliar bens culturais candidatos ao título.

Construídos durante o ciclo da borracha, entre o fim do século XIX e o início do século XX, os dois teatros foram apresentados à Unesco como um conjunto arquitetônico e histórico capaz de demonstrar como a riqueza produzida na Amazônia influenciou a formação urbana, cultural e artística da região. Embora localizados em estados diferentes, os edifícios compartilham características arquitetônicas, trajetórias históricas e um papel semelhante na consolidação da vida cultural amazônica.
A candidatura também destacou que os espaços deixaram de representar apenas o período da Belle Époque para se consolidarem como centros permanentes de produção artística, abrigando festivais, concertos, espetáculos de dança, ópera, teatro e manifestações culturais contemporâneas.
Reconhecimento amplia projeção internacional da Amazônia
A inscrição na Lista do Patrimônio Mundial não altera a gestão dos teatros, que permanecem sob responsabilidade das instituições brasileiras. O Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896 e é um dos principais cartões-postais de Manaus. Já o Theatro da Paz abriu as portas em 1878, em Belém, sendo considerado uma das mais importantes casas de espetáculos do país. Ambos já eram tombados pelo Iphan antes da candidatura internacional.

Além da relevância arquitetônica, a Unesco considerou o valor histórico do conjunto por representar um período em que a Amazônia estava integrada às principais rotas econômicas globais, impulsionadas pela exportação da borracha. Os dois edifícios preservam elementos construtivos, artísticos e decorativos que refletem esse contexto e testemunham as transformações econômicas e culturais vividas pela região.
Para a superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, o reconhecimento ultrapassa o valor arquitetônico dos edifícios e reforça a importância da história construída por diferentes gerações na região.
“Foi um trabalho árduo em conjunto que se conquista aqui com esse reconhecimento” disse Calheiro em um vídeo publicado da Coreia do Sul logo após o anúncio da Unesco.
Para o diretor do Theatro da Paz, Edyr Augusto Proença, o espaço localizado no centro de Belém esse reconhecimento porque reúne características que o tornam único. “Ser reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco é reconhecer a contribuição da Amazônia para a cultura e para a história da humanidade”, enfatizou o gestor do teatro em Belém.
Com informações do Portal Amazônia.