UE obriga Google a abrir Android e dados para OpenAI e concorrentes de IA

O Google, empresa controlada pela Alphabet, foi obrigado pela União Europeia (UE) a abrir parte de seus serviços para a OpenAI e outras companhias de inteligência artificial (IA) e buscas online. A decisão, detalhada na última quarta-feira (15), faz parte de um esforço dos reguladores do bloco para limitar o poder das chamadas ‘Big Techs’.

A determinação da Comissão Europeia ocorre após seis meses de um processo para ajustar a operação do Google à Lei dos Mercados Digitais (DMA). O objetivo central é garantir que o mercado seja mais competitivo e que o Gemini, a IA do Google, não domine sozinha o ecossistema.

Na prática, o Google terá que liberar o acesso a 11 funcionalidades do sistema Android. Isso permitirá que concorrentes criem assistentes de IA que possam ser ativados por comandos de voz semelhantes ao famoso “Ok Google”. Com isso, o usuário poderá, por exemplo, pedir um táxi ou buscar informações locais usando a IA de outra empresa diretamente no aparelho.

Essas mudanças no sistema operacional Android devem chegar aos usuários a partir de julho de 2027, por meio de atualizações futuras do software.

O Google, no entanto, não concordou com a decisão. Em comunicado enviado por e-mail, o advogado da empresa, Kent Walker, expressou preocupação com a segurança dos dados. “As decisões anunciadas hoje podem comprometer proteções essenciais de privacidade e segurança para milhões de europeus”, afirmou Walker.

O representante do Google ainda completou: “Temos apresentado repetidamente soluções para proteger os usuários e, ao mesmo tempo, atender aos objetivos da DMA, mas essas decisões ignoram evidências significativas dos possíveis impactos negativos para os usuários”.

Em resposta, a Comissão Europeia garantiu que a medida possui travas de segurança. O órgão afirmou que o Google só precisará liberar os recursos para empresas que comprovem rigorosos critérios de proteção de dados e segurança cibernética.

Além do sistema Android, a decisão obriga o Google a compartilhar dados anonimizados de suas buscas com a OpenAI e outros chatbots de IA. Essa medida, que entra em vigor em janeiro do próximo ano, prevê inclusive a criação de uma metodologia para definir quanto as empresas concorrentes deverão pagar por esse acesso.

Para Henna Virkkunen, chefe de tecnologia da União Europeia, a abertura é fundamental para o consumidor. “Com essas medidas, esperamos estimular o surgimento de alternativas ao Google Search e a serviços de IA da empresa, como o Gemini, ampliando as opções disponíveis para os usuários da União Europeia”, declarou.

Com informações do G1

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