Preço do petróleo cai apesar de novos ataques entre EUA e Irã

O mercado internacional de petróleo apresentou recuo nesta quinta-feira (9), contrariando a tendência de alta que geralmente acompanha conflitos geopolíticos. Mesmo com a escalada de tensões no Oriente Médio, os preços dos principais índices de referência fecharam o dia em queda.

O barril do Brent, referência global, encerrou o pregão com baixa de 2,2%, cotado a US$ 76,30. Já o WTI, utilizado como referência nos Estados Unidos, recuou 2%, fechando em US$ 72,08. A movimentação ocorreu após um início de dia com alta, indicando que, apesar do risco, os investidores buscaram realizar lucros ou apostaram em uma estabilização temporária.

O cenário geopolítico permanece crítico. Estados Unidos e Irã realizaram novos ataques mútuos pelo segundo dia consecutivo. A ofensiva iraniana atingiu infraestruturas militares americanas em países do Golfo Pérsico, servindo como resposta a bombardeios dos EUA contra províncias no litoral sul e leste do Irã. Esses eventos colocam em xeque o acordo de cessar-fogo que estava vigente há três semanas.

Além dos confrontos militares, o Irã realizou o enterro do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo assassinado no início da guerra, em 28 de fevereiro. O clima de instabilidade foi agravado por explosões registradas em diversas regiões iranianas, incluindo a cidade de Bushehr, onde opera uma das principais usinas nucleares do país.

A comunidade internacional tem manifestado preocupação com a segurança da navegação comercial. O Catar, atuando como mediador, condenou os ataques e defendeu a retomada da diplomacia. Turquia e Omã também reforçaram, em conversas com o chanceler iraniano Abbas Araqchi, a urgência de evitar que a crise militar se expanda.

O ponto central da disputa é o Estreito de Ormuz, um corredor marítimo de aproximadamente 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado globalmente passava por essa rota.

Embora não seja o proprietário da via, o Irã controla a costa norte e diversas posições militares, o que lhe permite monitorar e restringir o tráfego de navios. O governo iraniano tem utilizado esse controle geográfico como instrumento de pressão política, defendendo a soberania sobre a rota e dificultando a navegação para obter vantagens em negociações internacionais.

Com informações do G1

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