Hanseníase em Manaus: a história do isolamento e a luta contra a doença

Entre o final do século XIX e o início do XX, Manaus viveu um conflito entre a modernização da “Paris das Selvas” e a realidade sanitária dos cortiços. Para manter a imagem de civilização, as autoridades priorizaram o saneamento e a retirada de circulação de doentes de hanseníase, que eram vistos como um empecilho à boa impressão da capital amazonense.

O isolamento começou de forma rigorosa, com registros de pacientes recolhidos em palhoças em Umirizal, às margens do Rio Negro, já em 1867

História da Medicina no Amazonas: as vidas mutiladas pela hanseníase, momentos de dor e tristeza
Locais de isolamento: Colônia Antônio Aleixo, Paricatuba e Umirizal, 1928. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

. A repressão era severa: em 1893, famílias que não comunicassem casos de doenças infectocontagiosas à Inspetoria de Higiene podiam enfrentar multas ou até cinco dias de prisão.

A luta contra a endemia levou à criação de estruturas específicas, como o leprosário “Belizário Pena” em Paricatuba (1923) e, posteriormente, a Colônia Antônio Aleixo em 1942. O isolamento geográfico era a principal arma da época, separando pais, filhos e irmãos em busca de um controle sanitário que, muitas vezes, resultava em profunda exclusão social.

Um marco importante foi a fundação da Creche Alice Sales, no bairro da Cachoeirinha, para amparar os filhos dos pacientes. Mais tarde, em 1955, a inauguração do Dispensário Alfredo da Matta, na antiga “Casa Amarela”, consolidou a transição do modelo de isolamento para um centro de referência em dermatologia tropical na Região Amazônica

Alfredo da Matta. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

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Com informações do Portal Amazônia.

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