Governo defende negociações com EUA após anúncio de novo ‘tarifaço’

O governo brasileiro reagiu formalmente à decisão dos Estados Unidos de implementar um novo “tarifaço”, medida que impõe taxas de importação sobre diversos produtos brasileiros. A determinação, anunciada nesta quarta-feira (15), reacendeu a disputa política interna sobre a responsabilidade pelo impasse comercial entre as duas maiores economias do continente.

Enquanto a oposição argumenta que houve falhas diplomáticas e atribui a culpa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes da gestão atual defendem que a medida dos Estados Unidos possui caráter “ideológico” e “político”, extrapolando a esfera técnica do comércio exterior.

A decisão foi formalizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que confirmou a proposta de novas tarifas, embora tenha incluído uma lista de itens isentos. A medida entrará em vigor no dia 22 de julho.

Tecnicamente, a decisão é o resultado de uma investigação comercial conduzida pelo USTR durante um ano. O processo baseou-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um mecanismo legal que permite ao governo americano investigar e combater barreiras comerciais impostas por outros países que, na visão de Washington, prejudiquem o comércio dos EUA.

Para rebater as críticas de omissão, a diplomacia brasileira apresentou um levantamento detalhado. Segundo os dados, foram realizados mais de 30 contatos desde o anúncio do tarifaço original. Essas interlocuções ocorreram via telefone, videoconferências e reuniões presenciais, envolvendo níveis presidenciais, ministeriais e técnicos.

O governo destacou ainda que representantes brasileiros conversaram com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com o representante de Comércio, Jamieson Greer, em pelo menos 11 ocasiões. A gestão brasileira enfatiza que a iniciativa para abrir o diálogo partiu sempre do Brasil, na tentativa de evitar o impasse.

Analistas observaram que o cenário parecia favorável após os encontros entre Lula e Donald Trump na Malásia e em Washington. No entanto, a percepção de melhora nas relações mudou nas últimas semanas, coincidindo com a visita do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos.

Em nota oficial, o governo classificou a decisão como um “marco lastimável” na relação bilateral e afirmou que “repudia a decisão”. O presidente Lula declarou que irá acionar a lei da reciprocidade, aplicando medidas semelhantes aos produtos americanos.

“Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”, afirmou a nota governamental.

O governo concluiu afirmando que atuou ininterruptamente junto ao USTR para encerrar as investigações da Seção 301, apresentando evidências que, segundo Brasília, refutam as alegações de práticas desleais de comércio por parte do Brasil.

Com informações do G1

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