A integração entre crimes ambientais e o crime organizado na Amazônia tornou as políticas públicas tradicionais insuficientes. Segundo Paulo Moutinho, pesquisador do IPAM, é urgente uma estratégia conjunta de segurança e governança entre os países do bioma para conter a expansão de redes criminosas.

Os dados são alarmantes: entre 2019 e 2024, as apreensões de cocaína na Região Norte do Brasil saltaram 574,4%. Um estudo do Instituto Igarapé reforça essa tendência, revelando que 55% das operações da Polícia Federal investigavam associações com organizações criminosas e múltiplas atividades ilícitas simultâneas.
Além da violência, a crise climática impacta a saúde pública regional. Moutinho destaca que, durante o El Niño, a qualidade do ar em comunidades tradicionais e indígenas da Amazônia brasileira foi pior do que no centro de São Paulo, gerando um gasto de US$ 10 milhões apenas para tratar doenças respiratórias no Brasil.

“O principal desafio atual na Amazônia é a integração entre os crimes ambientais e o crime organizado, o que torna insuficientes as políticas ambientais tradicionais e exige uma estratégia integrada de segurança, planejamento territorial e governança”, afirmou o pesquisador durante evento do Parlamento Amazônico (Parlamaz).
O relatório do Painel Científico para a Amazônia (SPA) alerta que a região se aproxima de um ponto de inflexão ecológica. A perda da conectividade da floresta ameaça os “rios voadores”, que regulam as chuvas em boa parte da América do Sul, comprometendo a produção de alimentos e a geração de energia.
Com informações do Portal Amazônia.