Os preços do petróleo registraram queda nesta terça-feira (21), impulsionados por sinais de que Estados Unidos e Irã podem entrar em um processo de mediação para conter a escalada do conflito armado. O mercado financeiro reagiu positivamente à informação de que mediadores apresentaram uma proposta de cessar-fogo com duração de dez dias entre as duas nações.
A baixa ocorreu mesmo diante de novos confrontos registrados nas últimas horas. Durante a madrugada, o petróleo Brent, que serve como a principal referência global, recuou 0,9%, sendo cotado a US$ 88,44 por barril (aproximadamente R$ 450,05). Já o WTI, referência para o mercado norte-americano, também caiu 0,9%, fechando em US$ 82,50 por barril (cerca de R$ 419,82).
De acordo com informações da agência Reuters, uma autoridade iraniana confirmou que Teerã recebeu a proposta de trégua temporária. O objetivo da medida seria preservar um memorando de entendimento assinado em 17 de junho, que visava abrir caminho para um acordo mais amplo e definitivo para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro.
Analistas do banco ING, ouvidos pela Reuters, destacam que o mercado observa a possibilidade de desescalada com uma mistura de esperança e cautela. Os especialistas alertam que ainda existem divergências profundas entre Washington e Teerã, o que pode criar obstáculos nas negociações. Além disso, o cenário é tensionado pela promessa do presidente dos EUA, Donald Trump, de retaliar a morte de militares americanos em ataques recentes.
Enquanto a diplomacia tenta avançar, os confrontos militares continuam. Durante a noite, a Guarda Revolucionária iraniana realizou novas ações contra ativos militares dos EUA na região. Em resposta, o Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou o início de uma nova rodada de bombardeios contra alvos iranianos.
Outro ponto de atenção para os investidores são os riscos ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais críticas para o comércio global de energia. Nesta terça-feira, uma embarcação relatou ter sido atingida por um projétil de origem desconhecida, forçando a tripulação a abandonar o navio em botes salva-vidas, segundo a agência britânica UKMTO.
O fluxo de navios pela região já apresenta queda devido ao aumento da cautela. Somando-se a isso, a declaração dos rebeldes houthis do Iêmen, aliados ao Irã, elevou a tensão. O grupo afirmou na segunda-feira (20) que pretende impor um bloqueio naval à Arábia Saudita, o que poderia criar uma nova frente de conflito e comprometer severamente o fornecimento mundial de petróleo.
Com informações do G1