O cenário econômico atual, marcado pela inflação e pela perda do poder de compra da classe média-baixa, está transformando os hábitos de consumo de vinhos no Brasil. De acordo com um levantamento da consultoria Ideal.BI, houve uma redução de 9% no volume de vinhos importados de menor preço, refletindo a dificuldade financeira de boa parte da população em acessar esses produtos.
Em contrapartida, o setor tem direcionado seus investimentos para as marcas premium, que possuem maior valor agregado. Esses rótulos de luxo representaram um terço de toda a receita gerada pelas importações no primeiro trimestre. Além disso, atingiram o maior preço médio dos últimos 10 anos, chegando a US$ 31,2 por caixa de 9 litros.
No balanço geral, o mercado nacional movimentou R$ 4,18 bilhões. O volume de abastecimento alcançou um patamar inédito de 10,22 milhões de caixas, o que representa uma alta de 12% em comparação ao primeiro trimestre do ano anterior. Esse recorde de estoque foi impulsionado, em grande parte, pelas expectativas do setor quanto à entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
A análise dos dados mostra que a América do Sul consolidou sua posição como principal fornecedora, detendo 65% do volume total de embarques para o Brasil. O Uruguai foi o país que apresentou o crescimento mais expressivo, com alta de 44% no fornecimento, seguido pela Argentina, com um aumento de 16%.
No segmento de espumantes, o cenário foi misto: houve uma alta de 9% no volume, mas as importações recuaram 24%. Essa retração foi puxada principalmente pelos embarques vindos da Espanha, que sofreram uma queda acentuada de 57%.
Para Felipe Galtaroça, CEO da Ideal.BI, o recorde de volume também é consequência da recuperação dos vinhos tintos importados. “Após dois anos de quedas consecutivas, eles ganharam 2 pontos percentuais de participação no mercado e passaram a responder por 70% do faturamento total”, afirmou o executivo.
Enquanto os tintos avançam, a participação dos vinhos rosés recuou para 5%, e os vinhos brancos mantiveram sua fatia de 25% da receita total. Apesar do volume recorde de produtos entrando no país, o consumo final permaneceu estável no início de 2026, com um leve crescimento de 1,2%, enquanto o consumo de espumantes caiu 1,4%.
As projeções para o fechamento de 2026 são otimistas quanto à produção nacional. O relatório indica que o mercado de vinhos deve encerrar o ano com 56,8 milhões de caixas produzidas, o que representa uma alta de 6,9% em relação a 2025. Já a produção de espumantes deve ultrapassar a marca de 4 milhões de caixas.
Com informações do G1