Fim da moratória da soja na Amazônia: o que muda para a floresta e o produtor

Um alerta publicado na revista Science revela que o fim da Moratória da Soja pode provocar a destruição de 1,4 milhão de hectares adicionais na Amazônia nos próximos dez anos. O mecanismo, criado em 2006, impede a comercialização de grãos produzidos em áreas desmatadas após julho de 2008, tendo sido fundamental para reduzir a pressão sobre a floresta sem travar o crescimento do setor agrícola

Fim da moratória da soja pode aumentar a destruição da Amazônia em 1,4 milhões de hectares nos próximos 10 anos
Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT

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De acordo com o estudo, a ausência do acordo não impactaria apenas a conversão direta de floresta em lavoura, mas aumentaria a especulação fundiária em áreas vulneráveis. Foram identificados 9,1 milhões de hectares em propriedades privadas com alta aptidão para a soja que poderiam ser legalmente desmatados, além de milhões de hectares de florestas públicas sob risco.

Para o WWF-Brasil, a experiência prova que é possível crescer economicamente com conservação. “A Moratória da Soja mostrou que é possível ampliar a produção agrícola mantendo critérios de conservação”, afirma Tiago Reis, especialista em Conservação do WWF-Brasil, destacando que a expansão deve focar em áreas já abertas

Foto: Caio Paganotti

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A pesquisa também derruba o argumento de que o acordo prejudicaria financeiramente o agricultor. A análise comparou preços em municípios com e sem a moratória e não encontrou diferenças nos valores recebidos, refutando a tese de que o mecanismo funcionaria como um cartel entre compradores

Foto: Reprodução/Embrapa

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Além do impacto ambiental, o fim da moratória coloca em risco a própria agricultura regional. A perda da floresta afeta a regulação do clima e a disponibilidade de chuvas, essenciais para as safras. “Produzir mais e conservar a Amazônia são objetivos que podem caminhar juntos”, reforça Tiago Reis, alertando para a necessidade de rastreabilidade para manter a competitividade nos mercados internacionais

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Com informações do Portal Amazônia.

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