Setor de cargas teme ‘tarifaço’ dos EUA e alerta contra retaliações

O setor de transporte de cargas e logística do Brasil manifestou profunda preocupação nesta quarta-feira (22) com a implementação do “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos sob a gestão do presidente Donald Trump. A medida, que entrou em vigor nesta quarta, gera incertezas sobre o volume de trocas comerciais entre as duas nações.

Para Paulo Afonso Lustosa, presidente da Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística (Fenatac), a decisão do governo norte-americano possui um caráter predominantemente político, superando as justificativas econômicas. O executivo alertou que a estratégia de resposta do Brasil será determinante para o futuro do setor.

Lustosa participou de uma reunião com membros do governo federal, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin. O encontro faz parte de um esforço da gestão Lula para ouvir as entidades afetadas e elaborar a melhor estratégia de reação às novas tarifas impostas pelos EUA.

Em entrevista concedida após a reunião, o presidente da Fenatac defendeu que a saída mais segura para o país seja a negociação diplomática e comercial. Ele argumentou que o Brasil deve evitar a adoção de medidas espelhadas de reciprocidade, que poderiam escalar a tensão entre os dois países.

“O setor de transporte é uma atividade meio, uma ligação entre o setor industrial, que produz, e quem consome. Então na medida que a carga reduz, o nosso setor sofre”, afirmou Lustosa, destacando a vulnerabilidade da logística diante de quedas no comércio exterior.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de o Brasil retaliar aplicando tarifas recíprocas contra produtos vindos dos Estados Unidos, o presidente da Fenatac reiterou os riscos de uma escalada na crise comercial. Segundo ele, agir da mesma forma que os EUA pode agravar o conflito e piorar a situação financeira das empresas brasileiras.

Em vez de retaliações, a Fenatac defende a criação de um canal permanente de diálogo entre o governo federal e o setor produtivo nacional. O objetivo é buscar uma solução negociada que minimize os impactos negativos na balança comercial e na operação logística.

Embora ainda não existam números consolidados sobre o prejuízo financeiro total ou a redução exata no volume de fretes, Lustosa destacou que os efeitos práticos do tarifaço serão sentidos de forma imediata em toda a cadeia logística do país.

Com informações do G1

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