O governo federal decidiu antecipar o início do fornecimento de energia de seis contratos de reserva de capacidade — cinco na modalidade energia e um na modalidade potência. A medida é uma resposta preventiva aos impactos previstos do fenômeno climático El Niño, visando assegurar que não haja falta de eletricidade para a população.
Com a decisão, o Sistema Interligado Nacional (SIN) receberá um reforço de 1,8 gigawatt (GW) a partir do dia 1º de setembro. A determinação foi oficializada nesta quarta-feira (22) pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão responsável por acompanhar a estabilidade do sistema energético brasileiro.
O El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o que altera a circulação atmosférica global. No Brasil, esse evento gera impactos desiguais: enquanto a região Sul costuma registrar aumento de chuvas, as regiões Norte e Nordeste frequentemente enfrentam períodos de seca severa.
Para o consumidor do Norte, o risco é duplo. O fenômeno tende a reduzir a capacidade de geração das hidrelétricas locais devido à baixa dos rios e, simultaneamente, eleva a demanda por energia, já que as temperaturas mais altas aumentam o uso de aparelhos de refrigeração e ar-condicionado.
Em nota, o CMSE destacou que a antecipação dos contratos é “fundamental para garantir a segurança do sistema elétrico brasileiro em 2026 e no início de 2027”, baseando-se em um parecer do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que indicou uma “elevada probabilidade” de ocorrência do fenômeno.
Além do clima, a instabilidade geopolítica global, especialmente os conflitos no Oriente Médio, influenciou a decisão. Guerras nessa região podem provocar volatilidade nos preços dos combustíveis fósseis, utilizados em usinas termelétricas para suprir a falta de água nos reservatórios.
O governo busca evitar a dependência de usinas sem contrato (conhecidas como usinas merchant). De acordo com estudos do Ministério de Minas e Energia (MME), a contratação de energia nessas usinas custa, no mínimo, 25% a mais do que as contratadas via leilões oficiais, o que poderia pressionar os custos do setor.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta que o El Niño deve se intensificar no segundo semestre, atingindo seu pico entre novembro e fevereiro de 2027. As projeções indicam que a temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial pode ficar mais de 2°C acima da média, elevando as chances de ondas de calor e secas extremas.
Com informações do G1