O cenário político para as eleições de 2026 começa a ser desenhado nos bastidores de Brasília. Recentemente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), desempenhou um papel central na retomada da relação entre o governo federal e a presidência da Casa Legislativa. Antes de um encontro oficial com o presidente Luiz Inácio Lula (PT), Alcolumbre atuou para garantir a neutralidade da federação composta pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP).
Essa movimentação estratégica ocorreu tanto no âmbito nacional quanto em estados considerados colégios eleitorais decisivos. A articulação do senador foi fundamental para distanciar partidos do chamado “centrão” do palanque de Flávio Bolsonaro (PL), o que, na prática, enfraquece a estrutura de apoio ao candidato do PL e abre espaço para a viabilização de alianças favoráveis ao atual presidente da República.
No Rio de Janeiro, estado que é um reduto histórico da família Bolsonaro, a neutralidade do União Brasil e do PP foi vista como um ganho duplo. De um lado, beneficia Eduardo Paes (PSD), que disputa o governo estadual; de outro, fragiliza a base de apoio de Flávio Bolsonaro na região. A decisão foi selada após reuniões envolvendo a campanha de Paes, a presidência do União Brasil, Antônio Rueda, e lideranças do PP, com a participação remota de Alcolumbre.
Em Minas Gerais, outro estado fundamental para qualquer disputa presidencial, a federação União Brasil-PP optou por apoiar o governador Mateus Simões (PSD). Com essa escolha, o PL de Flávio Bolsonaro fica isolado na disputa local, perdendo força em um dos maiores colégios eleitorais do país.
A situação é diferente em São Paulo, onde Flávio Bolsonaro encontra um cenário mais favorável. Isso se deve, principalmente, ao desempenho do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição e mantém bons índices nas pesquisas. No entanto, em outras regiões, mesmo candidatos coligados ao PL têm evitado vincular suas campanhas à imagem de Flávio como candidato ao Palácio do Planalto.
A reaproximação entre Lula e Alcolumbre, que havia sido rompida após a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), é movida por interesses mútuos. Para o governo, trata-se de fortalecer palanques eleitorais. Para Alcolumbre, o objetivo é garantir apoio para sua reeleição à presidência do Senado, aproveitando que Lula segue à frente nas pesquisas, ainda que por margem estreita.
Para os partidos do centrão, a estratégia de neutralidade não é apenas política, mas pragmática. Ao não se vincularem rigidamente a um candidato presidencial neste momento, aumentam suas chances de eleger bancadas maiores e mais diversificadas tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.
Com informações do G1