O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, manifestou-se nesta terça-feira (11) sobre a atual trajetória da política monetária no Brasil. Em entrevista concedida ao Radar GloboNews, o executivo afirmou acreditar que existe margem para a redução da taxa básica de juros ainda no decorrer deste ano.
A análise de Noronha baseia-se no comportamento dos índices de preços. Para o presidente do banco, embora a estratégia do Banco Central seja compreensível diante do cenário econômico, o patamar atual dos juros estaria excessivamente alto em relação às metas de inflação.
“A gente entende perfeitamente o movimento de política monetária do Banco Central, mas a taxa de juros está bem elevada […] e, quando a gente olha para a inflação, temos espaço para derrubar essa taxa”, declarou o executivo durante a entrevista.
A taxa Selic é o principal instrumento do Comitê de Política Monetária (Copom) para controlar a inflação. Quando o Banco Central eleva os juros, o objetivo é desestimular o consumo e o investimento para frear a alta dos preços. Por outro lado, a redução dos juros tende a baratear o crédito, incentivando a atividade econômica e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Apesar do otimismo quanto à possibilidade de cortes, o cenário permanece cercado de incertezas que podem pressionar a inflação e forçar a manutenção de juros elevados. Entre os principais riscos citados estão as tensões geopolíticas, como as guerras em curso, que impactam diretamente o preço das commodities e a volatilidade do câmbio.
Além disso, o calendário eleitoral e fatores climáticos, como o fenômeno El Niño, são vistos como ameaças reais. No caso do El Niño, a instabilidade no regime de chuvas pode prejudicar a safra agrícola e elevar o preço dos alimentos, gerando um repique inflacionário que dificultaria a missão do Banco Central de reduzir a Selic.
O mercado financeiro segue monitorando atentamente as próximas reuniões do Copom e a divulgação de novos dados de inflação para prever se a tendência de queda nos juros será concretizada ou se o aperto monetário precisará ser mantido para garantir a estabilidade da moeda.
Com informações do G1