O avanço da estação seca no Amazonas, conhecida como “verão amazônico”, evidencia a diferença de temperaturas em Manaus. Enquanto as zonas arborizadas mantêm o clima ameno, os bairros com alta urbanização sofrem com as ilhas de calor, fenômeno onde asfalto e concreto absorvem a radiação solar e a liberam lentamente, gerando temperaturas sufocantes.
A dra. Luciana Gatti, coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa do INPE, alerta que a impermeabilização do solo transforma a cidade em um acumulador térmico. Segundo a especialista, as superfícies escuras impedem que os bairros resfriem mesmo à noite, afirmando que “para a nossa sobrevivência, a gente precisa de cidades menos quentes”.

Fatores como a pavimentação densa, a baixa refletividade de materiais de construção e a criação de barreiras físicas que impedem a circulação das brisas dos rios Negro e Amazonas agravam a situação. A meteorologista Andrea Ramos explica que a menor nebulosidade do período converte a energia solar em calor sensível, aquecendo o ar próximo à superfície.
A combinação de calor intenso e alta umidade equatorial prejudica a evaporação do suor, elevando a sensação térmica e os riscos à saúde. Para mitigar o problema, a pesquisadora do INPE sugere medidas imediatas nas residências: “Pintar as casas de branco, inclusive no telhado ou principalmente no telhado, ajuda a refrescar porque a energia solar reflete”.

Como solução estrutural, dados do Inmet indicam que a arborização planejada e a criação de corredores verdes podem reduzir a temperatura em até 4°C nos pontos críticos. As especialistas defendem o plantio massivo de árvores, o uso de superfícies claras e a preservação de igarapés para garantir a circulação do ar nos bairros de Manaus.
Com informações do Portal Amazônia.