Um levantamento da InfoAmazonia, baseado em dados do Censo 2022 do IBGE, revela que quase 40% da população indígena em terras indígenas na Amazônia Legal não possui acesso adequado à água. Diante da precariedade do saneamento básico, a maioria dessas comunidades depende diretamente de rios, lagos e igarapés para a sobrevivência diária

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A situação é agravada pela degradação ambiental. Ediene Kirixi, coordenadora da Associação das Mulheres Munduruku Wakoborũn, relata que o garimpo ilegal no Pará contaminou as águas: “Hoje, as nossas crianças já não têm mais a liberdade de tomar a água do rio. A cor do rio é branca, os peixes estão doentes”. A falta de infraestrutura torna as aldeias vulneráveis a doenças hídricas e ao estresse hídrico

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O cenário é crítico também no Amazonas. Mariazinha Baré, da APIAM, destaca que a ausência de políticas estruturantes obriga comunidades a buscarem parceiros não governamentais para instalar poços. No estado, 68% das terras indígenas não têm rede geral de distribuição de água, e muitas dependem da coleta de chuva para evitar o consumo de águas barrentas ou com odor forte durante as secas

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Além da água, o esgotamento sanitário é alarmante: apenas 4,7% dos indígenas contam com sistemas adequados. Cerca de 44,3% utilizam fossas rudimentares e 34,6% sequer possuem banheiro. O descarte de lixo também é um desafio, com 78,2% dos resíduos sendo queimados nas propriedades por falta de coleta pública

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Para enfrentar a crise, o Ministério da Saúde lançou o Programa Nacional de Saneamento Indígena (PNSI), com a meta de universalizar o abastecimento de água para 98% da população indígena até 2044. Especialistas alertam que a instalação de poços e tecnologias de tratamento é a única via para reduzir custos humanitários e evitar tragédias em eventos climáticos extremos

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Com informações do Portal Amazônia.