A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) reiteraram, nesta terça-feira (25), um pedido para que as nações estabeleçam proibições e restrições ao uso de armas autônomas. Esses sistemas, conhecidos popularmente como “robôs assassinos”, possuem a capacidade de identificar e atacar alvos sem a necessidade de um comando humano direto.
A solicitação dá continuidade a um movimento iniciado há três anos e acompanha as negociações internacionais sobre a matéria. As duas instituições não pleiteiam a proibição total de todas as tecnologias desse gênero, mas defendem a implementação de normas claras para monitorar seu desenvolvimento e a forma como são utilizadas.
Embora as entidades afirmem que tais sistemas já estão em fase de desenvolvimento, a ONU e a Cruz Vermelha ressaltam que ainda não houve a confirmação do emprego dessas armas em situações de combate real.
As organizações sustentam que a definição de regras é fundamental para garantir a proteção de civis antes que esse tipo de armamento seja adotado em escala maior. “Estamos perigosamente perto de cruzar uma linha moral: permitir que máquinas escolham seres humanos como alvos de forma autônoma”, declarou Alessandra Vellucci, porta-voz da ONU em Genebra, ao ler o documento conjunto assinado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e pela presidente do CICV, Mirjana Spoljaric.
No comunicado, os líderes enfatizam que a urgência do alerta aumentou. Segundo eles, embora as preocupações fundamentais permaneçam as mesmas, os riscos associados à tecnologia se tornaram maiores.
A ONU e a Cruz Vermelha argumentam que a evolução acelerada das tecnologias militares pressiona as normas internacionais vigentes, criando um abismo entre a capacidade técnica das máquinas e a capacidade de regulação da legislação. “As armas autônomas não pertencem a um futuro distante. A corrida para ampliar a autonomia dos sistemas de armas já está em andamento”, destaca a declaração.
Este novo apelo ocorre enquanto diplomatas organizam uma reunião em Genebra, prevista para novembro, com o objetivo de fortalecer a Convenção sobre Certas Armas Convencionais. Este acordo internacional reúne diversos países para debater limites a armamentos considerados especialmente preocupantes.
Para a ONU e o CICV, esse fórum representa o caminho mais viável para a criação de normas internacionais obrigatórias. As tentativas de restringir tais tecnologias ocorrem há anos sem que resultados definitivos sejam alcançados, mas o debate ganhou relevância com o uso de drones e sistemas não tripulados em conflitos na Ucrânia, no Oriente Médio e no Sudão.
Atualmente, na Ucrânia, veículos robóticos terrestres são utilizados principalmente para a retirada de feridos, transporte de suprimentos e equipamentos, visando diminuir a exposição dos soldados. O governo ucraniano tenta expandir o uso de robôs armados para compensar a desvantagem numérica da infantaria, embora esses projetos ainda tenham tido impacto limitado.
A ONU e a Cruz Vermelha lembram que a preocupação não parte apenas de grupos humanitários, mas também de engenheiros e cientistas que criaram a tecnologia. “Quando os próprios criadores dessa tecnologia pedem restrições, os Estados não podem permanecer passivos”, conclui a declaração, afirmando que 2026 deve ser o ano de uma mudança real nas negociações.
Com informações do G1