IA Claude foi usada por grupo no Iêmen para criar armas teleguiadas

Um grupo localizado no norte do Iêmen utilizou o Claude, ferramenta de inteligência artificial da empresa norte-americana Anthropic, na tentativa de criar mísseis e outros armamentos. A informação foi revelada em um relatório divulgado pela companhia na última quinta-feira (10), no qual a empresa detalhou a identificação de três projetos militares que contaram com o suporte da IA.

Entre as iniciativas identificadas estavam a criação de um foguete guiado, um míssil balístico com capacidade de alcance superior a 2.000 quilômetros e um projétil equipado com tecnologia de planador hipersônico. No entanto, a Anthropic ressaltou que, apesar do progresso nos projetos, não foram encontradas provas de que o grupo tenha conseguido colocar qualquer arma operacional em funcionamento.

De acordo com a empresa, a inteligência artificial foi utilizada para executar tarefas técnicas que, em condições normais, demandariam a atuação de uma equipe de engenheiros especializados em controle de armas, navegação e sistemas de orientação.

Um dos projetos focava em um foguete capaz de realizar ajustes automáticos em sua trajetória durante o voo. Para viabilizar isso, o grupo desenvolveu um sistema de orientação baseado em uma calculadora de voo similar à tecnologia utilizada em smartphones. Na prática, esse mecanismo permite que o equipamento determine sua posição e corrija a rota para tentar atingir o alvo designado.

A Anthropic informou que houve a tentativa de lançamento desse foguete, porém o teste resultou em fracasso. Outro projeto envolvia o míssil balístico de longo alcance. Esse tipo de armamento, após ser lançado, percorre a maior parte do trajeto em uma curva de alta altitude antes de descer em direção ao objetivo. Com um alcance acima de 2.000 quilômetros, a arma poderia atingir alvos em regiões muito distantes.

O terceiro projeto mencionado envolvia um planador hipersônico. Diferente de projéteis com trajetórias previsíveis, esse veículo consegue realizar manobras enquanto voa e atingir velocidades que superam cinco vezes a velocidade do som.

A Anthropic reiterou que não há evidências de que esses estudos tenham se transformado em armas prontas para uso, destacando a falha no teste do foguete guiado. O relatório integra uma investigação maior da companhia sobre o uso malicioso ou ilegal de seu sistema, resultando na interrupção de contas de usuários em diversos países.

Embora a empresa não tenha revelado a identidade do grupo, informou que ele atua no norte do Iêmen, área sob controle dos houthis. O movimento político e militar, apoiado pelo Irã, domina a capital Saná e grande parte do norte do país, sendo conhecido por ataques a Israel e a navios no Mar Vermelho. Contudo, a Anthropic não confirmou se os projetos foram desenvolvidos diretamente pelos houthis.

Com informações do G1

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