Aos oito anos, Ilzinei da Silva viu médicos militares em São Gabriel da Cachoeira e decidiu que queria seguir a medicina. Décadas depois, tornou-se a primeira mulher da etnia Baniwa a se formar em medicina, dedicando-se hoje ao atendimento aos povos originários na própria comunidade.
Filha de pais analfabetos e criada com seis irmãos, Ilzinei ingressou na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em 2014, superando desafios para conciliar os estudos com a vida familiar e o casamento. O diploma veio em 2020, durante o pico da pandemia da covid-19, momento em que ela atuou na linha de frente.
Atualmente, a médica atua na Casa de Apoio à Saúde Indígena em São Gabriel da Cachoeira e como médica militar temporária no Hospital de Guarnição, com um olhar diferenciado para a população indígena. “Voltei para ajudar a minha gente. Pretendo me especializar em ginecologia para oferecer um cuidado humanizado às mulheres”, explica.
Ilzinei destaca a importância de atender na língua Baniwa, fortalecendo a confiança entre médico e paciente. Com planos de especialização e o desejo de incentivar novos profissionais indígenas, ela reforça: “Nunca desistam dos seus sonhos e nunca esqueçam de onde vieram”.
A história de Ilzinei é um exemplo de superação e representatividade, especialmente no Dia Internacional da Mulher. Ela carrega consigo a vitória de toda a comunidade Baniwa, abrindo caminho para que outros jovens indígenas sigam seus passos.
Com informações do Portal Amazônia.