A Polícia Federal deflagrou uma operação que resultou na prisão dos MCs Ryan SP e Poze do Rodo. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro em larga escala, que utilizava rifas clandestinas e jogos ilegais para movimentar recursos.
Segundo a PF, o dinheiro obtido de forma ilícita era “maquiado” e misturado a receitas de shows, contratos musicais e publicidade nas redes sociais. Para dificultar o rastreamento, o grupo fragmentava grandes quantias em diversas transferências menores, muitas vezes abaixo de R$ 10 mil.
A operação, que ocorreu em oito estados e no Distrito Federal, estima que cerca de R$ 1,6 bilhão tenha sido movimentado através do esquema. A visibilidade dos artistas, com grande número de seguidores nas redes sociais, teria impulsionado as transações.
“Eles tinham um papel importante no esquema de lavagem de dinheiro. Eram eles que detinham as contas utilizadas para que o dinheiro obtido de maneira ilícita pudesse circular, pudesse se confundir com os recursos lícitos”, afirmou Roberto Costa da Silva, delegado da Polícia Federal.
A investigação teve origem em reportagens exibidas pelo “Fantástico” em maio de 2025, que já apontavam irregularidades em rifas online. O contador Rodrigo Morgado é apontado como um dos operadores centrais do esquema, responsável por estruturar empresas, intermediar pagamentos e orientar estratégias financeiras.
Em mensagens trocadas, Morgado consultou Ryan sobre a divulgação de uma casa de apostas. O artista chegou a cobrar R$ 300 mil ou R$ 400 mil pelo serviço, dependendo do grau de proximidade com o cliente.
A PF também identificou que Ryan recebeu quantias milionárias em criptomoedas e que há um elo entre São Paulo e Rio de Janeiro ligado a um sócio de Poze, indicando uma atuação integrada entre diferentes grupos.

Nesta etapa da operação, bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões foram apreendidos. As contas dos suspeitos registraram movimentações associadas a crimes como tráfico de drogas e infrações contra o sistema financeiro.
“Pelas contas dos investigados, passaram recursos de origem ilícitas de uma diversa gama de crimes, dentre os quais tráfico de drogas e crimes relacionados ao sistema financeiro, como apostas e jogos ilegais”, destacou o delegado Roberto Costa da Silva.
A investigação também apura possíveis conexões com facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho. A defesa de Rodrigo Morgado afirma que ele atua dentro da legalidade e pretende provar sua inocência. Já os advogados de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo negam envolvimento em práticas ilícitas, alegando que todas as movimentações financeiras têm origem legítima.
Com informações de O Fuxico.