Montadora alemã Volkswagen registra forte queda no lucro, pressionada por tarifas nos EUA e desafios no mercado chinês
A Volkswagen enfrenta um cenário desafiador, com a queda do lucro operacional impactada por tarifas comerciais e dificuldades na China, seu maior mercado. A empresa informou uma forte redução nos ganhos e projeta uma recuperação limitada de sua margem de lucro.
Assim como outras empresas do setor, a Volkswagen sente a pressão em seus principais mercados. As tarifas impostas pelos Estados Unidos geram custos bilionários, enquanto a concorrência local diminui a participação da montadora na China. Em 2025, o lucro operacional da empresa caiu mais da metade, atingindo 8,9 bilhões de euros (US$ 10,4 bilhões), abaixo das expectativas de analistas.
O grupo alemão, que inclui as marcas Porsche e Audi, projeta uma margem operacional entre 4% e 5,5% em 2026. Em 2025, essa margem ficou em 2,8%, comparado aos 5,9% do ano anterior. Analistas da Visible Alpha estimam uma margem de 5,2% para este ano, no limite superior da projeção da empresa. “Estamos operando em um ambiente completamente diferente”, afirmou o presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, em comunicado.
A receita da Volkswagen permaneceu estável, em 322 bilhões de euros. Para 2026, a empresa prevê um crescimento entre 0% e 3%. O diretor financeiro Arno Antlitz ressaltou que os lançamentos de novos produtos e as medidas de reestruturação adotadas em 2025 ajudaram a fortalecer o grupo, mas reconheceu que a margem operacional ajustada de 4,6% ainda não é suficiente no longo prazo, indicando a continuidade de medidas de redução de custos.
Apesar do fluxo de caixa líquido de 6 bilhões de euros em 2025 – um resultado melhor do que o previsto –, a divulgação gerou críticas de sindicatos, que questionam o desempenho da empresa em meio a cortes significativos de empregos. A Volkswagen planeja eliminar cerca de 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030. O plano de reestruturação também afeta a Porsche, cujo lucro operacional despencou 98% em 2025, para 90 milhões de euros.
O resultado foi pressionado pelas tarifas e pelos custos de uma mudança estratégica na Porsche, que interrompeu no ano passado o avanço de sua transição para veículos elétricos diante da demanda fraca.
Com informações do G1