Envelhecimento da população é tendência. Empresas que valorizam a experiência dos profissionais mais velhos ganham eficiência e lucratividade
O valor dos trabalhadores experientes está sendo cada vez mais reconhecido, apesar do preconceito etário ainda presente no mercado de trabalho. Essa é a tese defendida por Annie Coleman, fundadora da RealiseLongevity, que após 40 anos no mercado financeiro, dedica-se a ajudar empresas a enxergar a longevidade como uma vantagem competitiva. Para Coleman, “se não há uma estratégia para a longevidade, não existe uma estratégia de crescimento”.
Coleman ilustra sua hipótese com exemplos práticos. Uma filial da varejista B&Q, na Inglaterra, resolveu a alta rotatividade e a insatisfação dos clientes ao compor sua equipe majoritariamente com funcionários mais velhos em 1989. O resultado foi um aumento de 18% nos lucros e uma queda significativa na rotatividade e no absenteísmo. A empresa chegou a destacar veteranos em sua publicidade, tratando a experiência como um ativo.
Em 2007, a BMW implementou adaptações ergonômicas de baixo custo em uma linha de montagem na Alemanha, visando melhorar as condições de trabalho para funcionários de meia-idade e seniores. A mudança, que incluiu estações de trabalho com altura ajustável e iluminação aprimorada, resultou em um aumento de 7% na produtividade. Um documento do Bank of America reforça essa tendência, afirmando que a contratação e retenção de colaboradores maduros são cruciais diante do envelhecimento da população.
Pesquisas da AARP (American Association of Retired Persons) e da OCDE mostram que empresas com mais trabalhadores acima dos 50 anos tendem a ser mais eficientes. Um estudo de 2022 do Boston Consulting Group revelou que equipes multigeracionais superam as homogêneas, combinando o julgamento e a mentoria dos mais experientes com as habilidades digitais dos jovens.
No entanto, Coleman observa que essas iniciativas raramente são vistas como estratégias centrais. Muitas empresas ainda projetam carreiras como se a eficácia estivesse atrelada à juventude, negligenciando o valor da experiência. Uma análise do Urban Institute nos EUA revelou que mais da metade dos trabalhadores acima de 50 anos foi demitida em reestruturações, e não por questões de desempenho. Coleman aponta três desafios urgentes: o êxodo prematuro de profissionais experientes, o desconhecimento do poder de compra do público acima de 55 anos (que deve chegar a US$ 15 trilhões anuais até o fim da década) e a inevitabilidade de vidas profissionais mais longas.
A especialista alerta que empresas que não retiverem talentos experientes enfrentarão escassez de mão de obra. Ela enfatiza que expulsar profissionais acima de 50 anos do mercado por razões não relacionadas ao desempenho é uma perda de capital intelectual e uma falha sistêmica.
Com informações do G1