
Boicote e erro de Schumacher: como foi a passagem da F1 por Indianápolis?
F1
Boicote e erro de Schumacher: como foi a passagem da F1 por Indianápolis?
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Muito antes de Austin, Miami ou do brilho neon de Las Vegas, a Fórmula 1 buscou sua grande cartada para conquistar os Estados Unidos no Indianapolis Motor Speedway, o lendário palco das 500 Milhas. Entretanto, o marco oficial começou antes: o primeiro Grande Prêmio dos Estados Unidos ocorreu em 1959, em Sebring, com vitória de Bruce McLaren.
Quando a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) fundou o Campeonato Mundial de Fórmula 1 em 1950, a categoria nasceu essencialmente europeia, com seis etapas no Velho Continente. Para justificar o rótulo de “Mundial”, a federação decidiu incluir as 500 Milhas.

Alberto Ascari com sua Ferrari para as 500 Milhas de Indianápolis de 1952 -Crédito: Indianapolis Motor Speedway
Alberto Ascari com sua Ferrari para as 500 Milhas de Indianápolis de 1952 -Crédito: Indianapolis Motor Speedway
A ideia era unir as bases de fãs europeias e americanas do automobilismo, ainda mais com uma corrida já consolidada e que era disputada desde 1911. Porém, as equipes não gostaram muito de cruzar o Oceano Atlântico para disputar uma corrida em um oval.
Então, as 500 Milhas foram retiradas em 1960 e essa fase inicial da categoria na “Terra do Tio Sam” estendeu-se até 1991, quando a F1 começou a perder fôlego diante do público norte-americano e se retirou do calendário.
De volta a Indianápolis

Largada do Grande Prêmio dos Estados Unidos de 2000
Crédito: IMS
Largada do Grande Prêmio dos Estados Unidos de 2000
Crédito: IMS
Após um hiato de nove anos, a Fórmula 1 retornou ao Estado de Indiana para a 26ª edição do GP dos Estados Unidos. O palco era um circuito misto de 4,1 km que desafiava a lógica do oval: os carros corriam no sentido horário, utilizando a icônica reta dos boxes e a curva 1 original para criar um dos cenários mais singulares do esporte.
O início dessa nova era foi dominado por Michael Schumacher e pela Ferrari. No GP inaugural de 2000, o alemão venceu sob pista molhada, dando início a uma dinastia no “Brickyard”. Schumacher venceria também em 2003, 2004, 2005 e 2006, tornando-se o maior vencedor da história do evento com cinco triunfos.
A segunda chegada mais apertada da história da F1

Rubens Barrichello venceu o GP dos Estados Unidos de 2002 por apenas 0,011 segundos
Crédito: F1
Rubens Barrichello venceu o GP dos Estados Unidos de 2002 por apenas 0,011 segundos
Crédito: F1
Em meio ao domínio da Ferrari, a pista de Indianápolis foi palco de um dos finais mais bizarros da história da F1. Em 2002, ao tentar orquestrar uma chegada empatada com seu companheiro Rubens Barrichello, Schumacher desacelerou demais na linha de chegada. O resultado foi a vitória do brasileiro pela margem mínima de 0,011s, em um desfecho que confundiu público e cronometragem.
Fiasco de 2005

Largada do GP dos Estados Unidos de 2005 contou apenas com os carros da Ferrari, Jordan e Minardi
Crédito: Red Bull
Largada do GP dos Estados Unidos de 2005 contou apenas com os carros da Ferrari, Jordan e Minardi
Crédito: Red Bull
O GP de 2005 merece um capítulo à parte. No dia 19 de junho, o que deveria ser uma celebração do automobilismo terminou com apenas seis carros largando e uma multidão furiosa atirando latas na pista.
A crise começou nos treinos, quando Ralf Schumacher (Toyota) sofreu um forte acidente na curva 13 devido a uma falha no pneu traseiro esquerdo. Como o asfalto havia sido recapeado, os pneus Michelin não suportavam a carga daquela curva específica.
Sem um acordo para trocar os pneus ou instalar uma chicane, as 14 equipes equipadas com Michelin entraram nos boxes após a volta de apresentação. Restaram apenas Ferrari, Jordan e Minardi, calçadas com Bridgestone, para disputar uma “corrida de fantasmas”.
O fim da F1 em Indianápolis
A redenção final do circuito veio em 2007. Um jovem Lewis Hamilton, ainda em sua temporada de estreia, segurou a pressão intensa de Fernando Alonso para vencer pela primeira vez no IMS.
Hamilton tornou-se, assim, o último vencedor daquela era antes que as negociações entre Tony George e Bernie Ecclestone fracassassem, encerrando o contrato e fechando as portas de Indianápolis para a Fórmula 1. Agora, a volta da F1 aos Estado Unidos no Circuito das Américas, também é papo para outro texto.
Acelere na Fórmula 1!
Fonte: Band F1