Brasil lidera recebimento de investimentos chineses

Investimentos chineses no Brasil atingem recorde de US$ 6,1 bilhões em 2025, impulsionados por energia, mineração e carros elétricos

O Brasil se destacou como o principal destino de investimentos chineses em 2025, atraindo US$ 6,1 bilhões em novos negócios e projetos, conforme relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O país respondeu por 10,9% de todos os investimentos chineses realizados no exterior no ano, superando Estados Unidos, Indonésia e Cazaquistão.

Os setores de energia, mineração e mobilidade elétrica foram os principais impulsionadores desse fluxo de capital. O setor de eletricidade liderou os aportes, com US$ 1,79 bilhão (aproximadamente R$ 8,8 bilhões), concentrados em energia renovável e transmissão. A mineração também teve um ano de destaque, com investimentos que mais que triplicaram em relação a 2024, atingindo US$ 1,76 bilhão (cerca de R$ 8,6 bilhões), motivados pelo interesse chinês em minerais críticos para a transição energética, como níquel, cobre e ouro.

A mobilidade elétrica também registrou avanços significativos, com investimentos de US$ 965 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões), um aumento de 66% em relação ao ano anterior. A expansão de montadoras chinesas no Brasil, como a inauguração das fábricas da BYD na Bahia e da GWM Brasil em São Paulo, além da parceria entre Geely Auto e Renault Brasil, foram fatores determinantes. O setor de petróleo manteve sua relevância, recebendo US$ 804 milhões (cerca de R$ 3,9 bilhões), apesar de uma queda de 24% em relação a 2024.

A entrada da China National Petroleum Corporation (CNPC) na Foz do Amazonas, com a aquisição de nove blocos exploratórios em consórcio com a Chevron, ampliou a presença chinesa no Norte do país e contribuiu para um aumento recorde na atração de projetos chineses para a região em 2025. O Brasil foi o único país a permanecer entre os cinco maiores destinos de investimentos chineses nos últimos cinco anos.

De acordo com Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC e autor do estudo, o avanço é resultado de uma combinação de fatores internos e externos. “Esse quadro reflete um cenário de maior atratividade relativa dos ativos brasileiros, em especial para investidores chineses, devido a fatores internos, como a depreciação do real frente ao dólar, o tamanho do mercado consumidor brasileiro, a abundância de recursos minerais e energéticos e a matriz elétrica limpa do país”, afirmou. A depreciação do real torna os ativos brasileiros mais baratos para investidores estrangeiros, aumentando seu poder de compra.

O relatório também aponta que as tensões geopolíticas e as restrições a investimentos chineses nos Estados Unidos e na Europa contribuíram para o redirecionamento de parte do capital para o Brasil. A expectativa é de continuidade dos aportes em setores ligados à transição energética, tecnologia da informação, petróleo, mineração e manufaturas avançadas nos próximos anos.

Com informações do G1

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