O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na última terça-feira (2) um decreto focado na regulação da inteligência artificial (IA). A medida estabelece que o governo americano poderá supervisionar os modelos mais avançados de IA, com o objetivo principal de reforçar a segurança digital do país.
O novo texto representa uma mudança estratégica na gestão de Trump. Até então, o governo era influenciado por setores que defendiam a ausência de regulações, argumentando que qualquer controle estatal poderia prejudicar a competitividade econômica e tecnológica dos Estados Unidos frente à China.
A mudança de postura ocorreu após a detecção de riscos reais. No início deste ano, o modelo Mythos, desenvolvido pela empresa Anthropic, demonstrou a capacidade de expor vulnerabilidades críticas em sistemas digitais. O alerta incluiu a possibilidade de ataques a redes de governos, hospitais e instituições bancárias, o que levou a empresa a desistir de lançar o modelo ao público.
Para mitigar esses riscos, as novas regras foram acordadas com as gigantes do setor, como Google, OpenAI e Anthropic. O acordo prevê que as empresas submetam, de forma voluntária, seus novos modelos a uma avaliação governamental antes que sejam disponibilizados no mercado. O decreto deixa claro que a medida não institui um controle prévio obrigatório, mantendo a natureza voluntária da cooperação.
Essa abordagem é similar à adotada por Joe Biden em 2023, quando determinou que as empresas compartilhassem resultados de testes de segurança. Trump havia revogado a norma anterior ao assumir a Casa Branca, por considerá-la excessivamente restritiva.
Na prática, a nova medida determina a criação de um centro de coordenação para a segurança digital em IA, que será gerido pelo Departamento do Tesouro, pela Agência de Segurança Nacional e pela agência CISA. Este grupo trabalhará com o setor privado e operadores de infraestruturas críticas para identificar falhas e priorizar correções rápidas.
Kent Walker, responsável por assuntos públicos do Google, avaliou a medida como um “passo importante”, afirmando que ela “oferece aos defensores do ciberespaço mais ferramentas para deter atores maliciosos”.
A implementação do decreto, porém, não foi linear. Uma versão anterior, prevista para 25 de maio, foi cancelada por Trump poucas horas antes da assinatura. O presidente alegou que não concordava com certos pontos e não queria “comprometer” a vantagem competitiva dos EUA em relação à China.
Analistas indicam que David Sacks, ex-assessor da Casa Branca para IA, foi fundamental para convencer o presidente a seguir com a medida. A tensão entre reguladores e defensores do livre mercado resultou em um ajuste final: o prazo para o exame voluntário dos modelos foi reduzido de 90 para 30 dias. Segundo Sacks, “na corrida pela IA, cada dia conta”.
Com informações do G1