Uma solução tecnológica desenvolvida no Médio Solimões (AM) para enfrentar a crise hídrica está sendo exportada para o Equador. O projeto “Água de Beber”, criado pelo Instituto Mamirauá em resposta às secas extremas de 2023 e 2024, foi apresentado em oficinas nas cidades de Coca e na comunidade Guiyero, visando ampliar o acesso à água potável em áreas ribeirinhas da Amazônia equatoriana.

Durante a capacitação, foram entregues 80 kits de “Tratamento Emergencial de Água”, além de um guia prático traduzido para o espanhol. A metodologia foca no tratamento de águas barrentas, desinfecção solar e captação de água de chuva, soluções de baixo custo essenciais para populações vulneráveis a mudanças climáticas.

Para o pesquisador João Paulo Borges, líder do GPIDTS, a iniciativa vai além da técnica. “Essa experiência de trabalhar em diferentes regiões da Amazônia e junto a comunidades tradicionais representa um intercâmbio que fortalece as parcerias institucionais e, ao mesmo tempo, contribui para outros territórios”, afirma.
O sistema foi desenhado para que as próprias famílias realizem a purificação de forma simples e segura, utilizando materiais de fácil manuseio. O kit compacto pode atender uma família por vários meses, adaptando processos de sistemas convencionais de abastecimento para a realidade da floresta.
No Brasil, a tecnologia já beneficia milhares de famílias nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, além da Floresta Nacional de Tefé. O projeto contou com apoio de órgãos como UNICEF, União Europeia e prefeituras de Tefé e Uarini, consolidando-se como uma ferramenta vital de resposta a estiagens na região.
Com informações do Portal Amazônia.