Uma pesquisa da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), publicada na revista internacional Tropical Medicine & International Health, revelou a forte ligação entre fatores climáticos, sociais e a incidência de acidentes com serpentes no Pará. O estado detém atualmente o maior número absoluto de casos desse tipo no Brasil.
O estudo, liderado pelo pesquisador Jorge Emanuel Cordeiro Rocha, analisou mais de 87 mil casos registrados entre 2007 e 2023. Os dados mostram que a vulnerabilidade social é um fator determinante: as picadas são mais frequentes em municípios com maior população rural, altos índices de analfabetismo e precariedade no saneamento básico

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Além da questão social, o clima desempenha um papel crucial. A pesquisa identificou um padrão sazonal claro, com maior número de acidentes no primeiro semestre do ano, período que coincide com a estação mais chuvosa na região amazônica, influenciada pelos regimes de precipitação e variação dos níveis dos rios.
Para a professora Ana Carla Gomes, orientadora do trabalho, os achados são fundamentais para a gestão pública. “A pesquisa contribui para aprimorar a distribuição de soros antiofídicos, fortalecer ações de educação em saúde e qualificar a assistência às populações mais vulneráveis da Amazônia”, afirma a docente.
O estudo reforça a necessidade de políticas públicas que considerem as particularidades ambientais da região para prevenir novos casos. Segundo a professora, a análise evidencia a importância de integrar fatores sociais e climáticos na formulação de estratégias de enfrentamento a esse problema de saúde pública.
Com informações do Portal Amazônia.