Receber um dinheiro extra, seja por meio do décimo terceiro salário, restituição do Imposto de Renda ou bônus profissionais, costuma gerar um dilema financeiro comum: utilizar o valor para amortizar o financiamento da casa própria ou aplicá-lo em investimentos para fazer o dinheiro render.
Para tomar a decisão correta, é preciso analisar o chamado “custo de oportunidade”. Na economia, esse conceito representa o benefício que se deixa de ganhar ao escolher uma alternativa em detrimento de outra. No caso do financiamento, a dúvida é se a economia gerada ao reduzir a dívida é maior do que o lucro obtido em uma aplicação financeira.
A conta não é simples e exige atenção a diversos fatores técnicos. O primeiro ponto é comparar a taxa de juros do financiamento com a rentabilidade líquida do investimento. É fundamental considerar que o rendimento bruto de uma aplicação geralmente sofre a incidência de impostos, como o Imposto de Renda, e é corroído pela inflação, que reduz o poder de compra do dinheiro ao longo do tempo.
Se o rendimento líquido — ou seja, o que sobra após impostos e inflação — for superior ao custo efetivo total (CET) da dívida, investir o dinheiro pode ser a estratégia mais lucrativa. Caso contrário, amortizar o saldo devedor torna-se a opção mais vantajosa, pois elimina juros que, no longo prazo, podem representar um valor altíssimo.
Especialistas em educação financeira recomendam a amortização especialmente em cenários de juros altos ou quando o orçamento mensal está apertado. Ao reduzir o saldo devedor, o consumidor diminui a pressão sobre o fluxo de caixa futuro e reduz o tempo de exposição ao risco do crédito.
Por outro lado, investir faz mais sentido para quem já possui uma reserva de emergência consolidada e consegue acessar produtos financeiros com rentabilidade superior ao custo do financiamento. Ter liquidez (dinheiro disponível rapidamente) é uma segurança importante para enfrentar imprevistos sem precisar recorrer a novos empréstimos com taxas mais elevadas.
Com informações do G1