O iFood solicitou formalmente ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que monitore a atuação das plataformas Keeta e 99Food no mercado brasileiro. A empresa líder no setor de delivery alega que as concorrentes estão adotando estratégias agressivas de expansão que podem comprometer a livre concorrência no país.
O ponto central da denúncia é a capacidade financeira dessas plataformas. Segundo o iFood, a Keeta e a 99Food possuem acesso a volumes expressivos de capital, o que lhes permite oferecer descontos agressivos aos consumidores e operar com prejuízos deliberados para atrair clientes e ganhar fatia de mercado rapidamente.
Para embasar a petição, o iFood utilizou um estudo do próprio Cade sobre casos internacionais. O documento aponta que a prática de utilizar preços artificialmente baixos e subsídios financeiros é uma tática comum para eliminar competidores menores ou consolidar a dominância em novos territórios.
A empresa afirma que a DiDi (controladora da 99Food) e a Meituan (responsável pela Keeta) se beneficiam de políticas governamentais da China. Iniciativas como a “Nova Rota da Seda” e programas de incentivo à tecnologia facilitariam o acesso a recursos financeiros baratos, subsidiando a expansão global dessas companhias.
O iFood apresentou dados financeiros para ilustrar a estratégia de crescimento baseada em perdas no curto prazo. Um relatório do banco australiano Macquarie indica que os investimentos da DiDi no Brasil foram a causa principal de um prejuízo de US$ 470 milhões no último trimestre de 2025.
Além disso, o documento menciona que a Meituan registrou um prejuízo de US$ 3,4 bilhões ao longo de 2025. O iFood alerta que esse modelo de negócio já resultou na saída de outras empresas de delivery em mercados como Hong Kong, Catar e Kuwait, após a entrada dessas plataformas chinesas.
Diante desse cenário, o iFood solicitou que o Cade exija informações detalhadas sobre a estrutura de custos e os preços praticados pelas plataformas no Brasil. O objetivo é verificar se há indícios de práticas desleais de concorrência que possam prejudicar a sustentabilidade do ecossistema de delivery nacional.
Com informações do G1