A Petrobras aprovou a implementação de um novo mecanismo para o cálculo do preço do gás natural vendido às distribuidoras estaduais. Com a mudança na metodologia, a companhia estima que o reajuste previsto para o dia 1º de agosto poderá ser limitado a até 6%, um valor significativamente menor do que a alta de 22% que era projetada anteriormente.
De acordo com a estatal, o objetivo central da medida é amortecer os efeitos das oscilações dos preços internacionais sobre os clientes de gás natural no Brasil. Para alcançar esse resultado, a Petrobras passará a utilizar uma faixa de valores para a cotação do petróleo Brent — a referência global do setor — no cálculo do preço do gás.
Na prática, a empresa estabelecerá um limite mínimo (piso) e um limite máximo (teto) para a cotação, reduzindo a exposição direta às variações bruscas do mercado externo. “A medida reduz temporariamente o impacto da alta dos preços internacionais (que no caso dos contratos de gás tem efeito trimestral e posterior), trazendo mais previsibilidade e evitando aumentos bruscos, tendo como contrapartida um piso também temporário, mais longo”, afirmou a empresa.
É importante destacar que esse novo mecanismo será opcional. Ele será aplicado apenas aos clientes que decidirem aderir à mudança por meio da assinatura de aditivos aos contratos de fornecimento de gás já existentes.
O gás natural, após ser adquirido das mãos da Petrobras pelas distribuidoras estaduais, é encaminhado via redes canalizadas para residências, comércios, indústrias e usinas termelétricas. Caso as distribuidoras decidam repassar o reajuste, o impacto chegará ao consumidor final desse sistema. No entanto, a Petrobras esclareceu que o gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de botijão, não faz parte desta medida.
O último reajuste no preço do gás natural vendido às distribuidoras ocorreu em 1º de maio, com uma alta de 19,2%. Segundo a estatal, esse aumento foi reflexo da disparada do petróleo e de seus derivados no mercado internacional, impulsionada pelo início do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, no final de fevereiro.
A nova estratégia de preços surge após o governo federal lançar programas de subvenção para diversos combustíveis. A intenção é conter a pressão sobre a inflação brasileira, especialmente em um ano de eleições presidenciais, evitando que a alta dos insumos internacionais encareça o custo de vida da população.
A Petrobras ressaltou, contudo, que o valor final pago pelo consumidor não depende exclusivamente do preço de venda da companhia. A composição do preço final inclui custos de transporte, as condições comerciais de cada distribuidora, margens de comercialização — no caso do GNV, as margens dos postos — e a incidência de tributos federais e estaduais.
Por fim, a empresa lembrou que as tarifas cobradas dos consumidores finais são definidas pelas agências reguladoras de cada estado, seguindo a legislação local vigente.
Com informações do G1