O Banco Central do Brasil (BC) decretou, nesta sexta-feira (14), a liquidação extrajudicial de duas instituições do Grupo Simpala: a Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios e a Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. Ambas as empresas possuem sede em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
A liquidação extrajudicial é um procedimento administrativo utilizado pelo Banco Central quando uma instituição financeira não apresenta mais condições de operar de forma saudável. Diferente de um processo de recuperação judicial comum, o encerramento ocorre sob supervisão direta do órgão regulador para tentar preservar a estabilidade do sistema.
De acordo com a autarquia, a medida foi necessária devido à deterioração da situação financeira das empresas e à identificação de infrações graves às regras que regulam a atividade financeira. Embora o BC não tenha detalhado a natureza das violações, a decisão visa mitigar riscos para os credores quirografários — aqueles que não possuem garantias específicas sobre seus créditos.
Apesar da gravidade da medida, o Banco Central ressaltou que o impacto no mercado financeiro nacional é reduzido, dado o tamanho das operações. A administradora de consórcios detinha cerca de 0,1% dos consorciados ativos do país, enquanto a financeira representava apenas 0,004% dos ativos do sistema financeiro nacional em junho deste ano.
Para os clientes da financeira, há uma proteção importante: os depósitos e investimentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) permanecem protegidos, respeitando os limites estabelecidos pelo fundo.
O Banco Central informou que continuará investigando as responsabilidades pelos problemas que levaram ao fechamento das empresas, apurando possíveis descumprimentos de leis ou normas regulatórias. “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes”, afirmou o BC em nota oficial.
Como parte do processo legal, os bens dos controladores e ex-administradores das instituições ficam indisponíveis a partir da decretação da liquidação, visando garantir a futura reparação de eventuais prejuízos.
O Grupo Simpala, com 50 anos de história, opera com quatro braços financeiros. Além das duas empresas liquidadas, o grupo mantém a Simpala Promotora, focada em intermediação de crédito, e a Simpala Seguros, que declara possuir R$ 1 bilhão em patrimônios segurados.
Com informações do G1