A indústria brasileira apresenta um cenário de crescente pessimismo em relação ao rumo da economia nacional. Pressionados por instabilidades no cenário global, os empresários do setor reduziram suas expectativas, conforme revelado pelo Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Em julho de 2026, o indicador registrou uma queda de 2,3 pontos, situando-se em 44,4 pontos. Para se ter uma ideia da magnitude desse recuo, o índice atual está 8,9 pontos abaixo de sua média histórica, que é de 53,3 pontos. Este é o patamar mais baixo de confiança desde junho de 2020, período em que o setor sentiu os impactos iniciais da pandemia de Covid-19, quando o índice havia chegado a 41,2 pontos.
O ICEI funciona como um termômetro essencial para a economia. Quando o índice cai, sinaliza que quem comanda as fábricas está “pisando no freio”. Na prática, esse comportamento costuma travar novos investimentos em maquinário e a contratação de novos funcionários, o que pode impactar a geração de empregos e o crescimento do PIB industrial.
O cálculo do índice é dividido em duas frentes: o momento atual (avaliação dos últimos seis meses) e as expectativas (visão para os próximos seis meses). A pontuação varia de 0 a 100, sendo que valores acima de 50 indicam confiança e abaixo de 50 revelam falta de confiança. Atualmente, ambos os componentes mostram sinais de alerta.
De acordo com a CNI, a piora foi impulsionada por uma percepção negativa sobre a economia brasileira e pelo aumento das incertezas internacionais. “O cenário se deve, possivelmente, ao aumento das incertezas do cenário externo, tanto o acirramento da guerra no Oriente Médio como também a eventual retomada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros”, explica Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
No detalhamento dos dados de julho de 2026, o Índice de Condições Atuais caiu para 41,6 pontos. O recuo foi puxado principalmente pela visão sobre a economia brasileira, que caiu de 36 para 34,7 pontos, enquanto a avaliação sobre a saúde das próprias empresas recuou levemente de 45,4 para 45,1 pontos.
A preocupação com o futuro é ainda mais acentuada. O indicador de expectativas despencou 3,1 pontos, fechando em 45,8 pontos — a maior queda mensal desde novembro de 2022. A expectativa para a economia brasileira caiu de 41 para 37,2 pontos. Já a visão sobre as próprias empresas recuou de 52,8 para 50,1 pontos, eliminando o otimismo anterior e colocando o setor no limite da neutralidade.
Com informações do G1