Cuíca-de-cauda-peluda: estudo inédito revela hábitos e áreas de ocorrência na Amazônia

Um estudo inédito do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Alexander Arévalo Sandi detalha a distribuição, ecologia e conservação da cuíca-de-cauda-peluda (Glironia venusta), um dos mamíferos mais esquivos da Amazônia. A pesquisa, publicada na revista Mammal Review, é a maior compilação já feita sobre a espécie.

O levantamento ampliou em 77% a distribuição espacial reconhecida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), mapeando 72 localidades confirmadas. Através de armadilhas fotográficas, revisão de literatura e dados de ciência cidadã, o estudo revelou que a cuíca-de-cauda-peluda é estritamente noturna.

Pela primeira vez, pesquisadores registraram a espécie consumindo gomas vegetais (“gum-feeding”). A análise do MapBiomas também indicou que a pressão humana é um fator relevante para a conservação da espécie, devido às mudanças no habitat natural.

cuíca-de-cauda-peluda. Foto: Fernando Trujillo/ Inpa

“Apesar de décadas de pesquisas na Amazônia, Glironia venusta continua sendo um dos mamíferos menos conhecidos do mundo. Nosso estudo reúne informações sobre sua distribuição, ecologia e conservação, contribuindo para reduzir parte dessa lacuna de conhecimento”, explica Sandi.

O trabalho teve o apoio logístico do Inpa e financiamento da Capes e CNPq, além do Programa de Capacitação Institucional (PCI). O pesquisador destaca a importância da conservação das florestas amazônicas para a sobrevivência de espécies raras e pouco conhecidas.

“Amplificamos a distribuição para toda a Amazônia. Com armadilhas fotográficas do nosso Grupo de Pesquisa, mostramos um comportamento raro, que é o bicho pegando gomas de uma planta, e confirmamos que é completamente noturna. Também avaliamos como o ambiente nas localidades de registro pode estar sendo modificado pela presença humana”, completa Sandi.

Com informações do Portal Amazônia.

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