A cidade de Tapiraí, no interior de São Paulo, reconhecida como a capital paulista do gengibre, está implementando um plano de recuperação de sua produção agrícola. O setor enfrenta desafios após a propagação de uma doença que afetou a qualidade das sementes, resultando em uma queda direta na produtividade das lavouras.
A importância econômica da região é expressiva, já que Tapiraí é responsável por 80% de todo o gengibre cultivado no estado de São Paulo. Para reverter o cenário negativo, a prefeitura municipal estabeleceu uma parceria estratégica com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), focada na modernização dos processos de cultivo.
A introdução de novas técnicas tem sido o pilar dessa recuperação. De acordo com Eliane Fabri, pesquisadora do IAC, a implementação de ferramentas como a análise de solo tem apresentado resultados positivos imediatos. “São ferramentas que não eram usadas pelos produtores e agora ajudam a melhorar a produtividade”, explicou a especialista.
Atualmente, a produção local abrange cerca de 500 hectares, cultivados majoritariamente por pequenos agricultores, muitos dos quais operam em regime de terras arrendadas. Um ponto crítico do processo é a gestão do rizoma — a parte da raiz utilizada como semente para o ciclo seguinte. A seleção rigorosa de raízes saudáveis é fundamental para garantir a robustez da planta e a eficiência da colheita.
Para garantir a sustentabilidade do ecossistema e a preservação da fertilidade do solo, os produtores adotam a rotação de culturas, alternando o plantio de gengibre com o de inhame. Essa prática evita a exaustão da terra e reduz a incidência de pragas. Para o ciclo de 2026, a expectativa de produtividade é de 30 toneladas por hectare.
No aspecto financeiro, o setor observa uma retração nos preços de venda. Atualmente, a caixa de 18 quilos é comercializada por R$ 60,00, o que representa uma queda de 33% em comparação aos valores praticados em 2025. Essa variação de preço reflete a dinâmica de oferta e demanda do mercado agrícola regional.
A família Fernandes, que mantém a tradição do cultivo há mais de três décadas, exemplifica a transição para a inovação. Fernando Fernandes, coordenador da produção familiar, projeta colher 39 toneladas e acredita que a adoção de tecnologias agrega valor ao produto final, tornando-o mais competitivo.
Hélio Tiago de Oliveira, produtor e presidente de uma associação setorial, reforça que a organização coletiva é a chave para a retomada econômica. “A parceria e a insistência dos produtores são fundamentais para retomar o destaque do gengibre de Tapiraí”, afirmou Oliveira.
Com informações do G1