Deputada britânica processa empresa de Elon Musk por imagens falsas de IA

A deputada britânica Jess Asato, integrante do Partido Trabalhista, entrou com uma ação judicial contra a xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk. A parlamentar acusa a companhia de invasão de privacidade após a criação de imagens falsas suas, geradas pelo chatbot Grok, nas quais ela aparece usando biquíni sem o seu consentimento.

O caso ocorreu em janeiro, logo após a deputada ter feito críticas públicas à disseminação de pornografia gerada por inteligência artificial na internet. A ação foi protocolada na quarta-feira (3) na Alta Corte de Londres, fundamentada na Lei de Proteção de Dados do Reino Unido, alegando o uso indevido de informações privadas.

Além de pedir indenização, Jess Asato pretende que o processo estabeleça um precedente legal para que empresas de tecnologia sejam responsabilizadas pelo design e pelo funcionamento de seus sistemas de IA, evitando que ferramentas semelhantes sejam usadas para ataques pessoais.

Em declaração sobre o ocorrido, a deputada comparou a situação a uma agressão física: “Ninguém poderia simplesmente se aproximar de mim na rua, tirar minhas roupas e me colocar de biquíni. Não vejo por que alguém deveria poder fazer isso comigo online, porque a sensação, embora não seja exatamente a mesma, é muito parecida”, afirmou. “É como se alguém tivesse me despido digitalmente sem o meu consentimento”.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, manifestou apoio total à medida. “Jess Asato está absolutamente certa na medida que está tomando”, declarou Starmer a jornalistas, classificando as imagens criadas pelo Grok como “repugnantes”.

A polêmica não é isolada. Em janeiro, a escritora americana Ashley St. Clair, que é mãe de um dos filhos de Elon Musk, também processou a empresa em Nova York. Ela alega que o Grok gerou imagens explícitas suas, incluindo uma versão em que ela aparecia como menor de idade.

Embora o Reino Unido tenha aprovado uma lei no ano passado tornando ilegal a criação de deepfakes de adultos sem consentimento, Asato argumenta que a xAI deve responder pelos danos já causados. “Depois que o dano é feito, ele já foi feito”, disse a deputada. “Se pensarmos em qualquer outro produto, como um carro fabricado com defeito, não importa se ele é posteriormente recolhido e o problema corrigido”.

A empresa de Musk chegou a anunciar, em janeiro, que bloquearia a edição de imagens de pessoas reais para remoção de roupas após pressão internacional. Até o momento, a xAI não respondeu aos pedidos de comentário sobre o processo.

Com informações do G1

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