Durigan projeta ajuste gradual de contas públicas para baixar juros em novo mandato

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (20) que, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito para um novo mandato, a equipe econômica implementará um ajuste nas contas públicas com a mesma intensidade da gestão atual. O plano prevê um movimento gradual de dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB).

Em entrevista à rádio CBN, onde atuou como representante da campanha de Lula, o ministro assegurou que o “arcabouço fiscal” — a regra de controle de gastos aprovada em 2023 — será preservada. Além disso, ele destacou que o time econômico continuará desenvolvendo propostas para a redução de despesas obrigatórias e a recuperação de receitas, focando no aumento da arrecadação “no que for injusto”.

Durante a fala, Durigan enfatizou a importância de manter a previsibilidade da política fiscal para evitar incertezas no mercado. “De modo que a gente faça um esforço fiscal, como foi feito nesse governo, que a gente fez um esforço fiscal de de 2% do PIB. Isso é o fundamental para as pessoas entenderem que não tem navegação no escuro. Que estamos prontos para fazer um esforço de mesma dimensão [em um eventual novo mandato de Lula]”, declarou o ministro da Fazenda.

De acordo com o ministro, a estratégia de ajuste fiscal defendida pela campanha de Lula busca equilibrar a responsabilidade financeira com a função social do Estado. O plano contempla a manutenção de gastos em áreas sociais para combater as desigualdades e a ampliação dos investimentos públicos. Segundo a visão de Durigan, esse equilíbrio é o que permitirá ao governo enfrentar a questão da elevada taxa de juros no país.

Atualmente, a taxa de juros básica do Brasil está fixada em 14% ao ano, o que a coloca como a maior do mundo em termos reais, conforme dados de um ranking do MoneYou. Esse patamar elevado impacta diretamente o custo do crédito e o consumo nas diversas regiões do país.

Por outro lado, analistas do setor alertam que a curva de juros para prazos mais longos — que serve de referência para a emissão de títulos públicos — não depende apenas da taxa básica. Ela reflete as expectativas dos agentes econômicos sobre a atividade econômica, o volume de gastos públicos e, consequentemente, a trajetória da inflação no médio e longo prazo.

Com informações do G1

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