EUA sancionam brasileiros e empresas por lavagem de dinheiro para o PCC

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º), a aplicação de sanções econômicas contra dois cidadãos brasileiros e três empresas sediadas no Brasil. A medida ocorre após a suspeita de que os alvos possuam ligações diretas com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com o comunicado oficial do Departamento do Tesouro norte-americano, os sancionados fazem parte de uma rede de lavagem de dinheiro. Estão na lista Victor Henrique de Oliveira Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e as empresas Victory Trading Intermediação De Negócios Cobranças E Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções De Pagamentos Ltda e Wave Construções Inteligentes Ltda.

Na prática, as sanções representam um bloqueio financeiro rigoroso. Todos os bens e ativos das pessoas e empresas citadas que estejam em território americano ficam congelados e são reportados ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC).

A restrição se estende a qualquer empresa onde os sancionados possuam, direta ou indiretamente, 50% ou mais de participação. Além disso, o governo dos EUA proibiu qualquer transação realizada por cidadãos americanos, ou dentro de seu território, que envolva propriedades ou interesses dos alvos.

Um ponto crítico da medida é o alerta para instituições financeiras estrangeiras. Bancos que “conscientemente facilitem transações significativas para os sancionados” podem sofrer sanções secundárias, o que inclui a proibição de operar ou a imposição de condições rigorosas para manter contas nos Estados Unidos, impactando a liquidez e a operação internacional dessas instituições.

Esta é a primeira rodada de sanções econômicas do governo Trump contra alvos ligados a facções brasileiras, após a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas internacionais em junho.

O Departamento do Tesouro descreveu o PCC como a “maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental” e afirmou que a facção representa uma “ameaça significativa à segurança nacional dos EUA”.

As investigações, concentradas na Flórida, apontam que Victor Shimada seria um “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”. Ele é acusado de lavar mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, utilizando criptomoedas para transferir os valores de volta ao Brasil.

Shimada já havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo em julho de 2025 por lavagem de dinheiro relacionada ao escândalo da VaideBet. Já Stella Stefanie, parente de Shimada, é apontada como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro e suporte logístico.

“Esta designação é mais um passo do governo dos Estados Unidos para enfrentar e reconhecer a crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras”, afirmou Gene Lange, subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira.

Com informações do G1

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