Vinho europeu vai ficar mais barato no Brasil! Imposto começa a cair hoje e será eliminado em 2034. Entenda o impacto
O imposto de importação sobre vinhos europeus e champanhes começa a ser reduzido nesta sexta-feira (1º de dezembro) e será totalmente eliminado em 2034. A medida é resultado do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que entrou em vigor de forma provisória neste mês.
Inicialmente, a taxa de importação sobre vinhos cairá de 27% para 24% e, em 1º de janeiro de 2027, para 21%. O cronograma completo, detalhado a seguir, foi obtido junto aos Ministérios do Desenvolvimento (Mdic) e da Agricultura (Mapa) e à Comissão Europeia.
Espumantes também terão redução de tarifas, mas com um cronograma diferente. Garrafas com preço superior a US$ 8 por litro terão isenção imediata, enquanto as abaixo desse valor só serão isentas após 12 anos. É importante lembrar que a diferença entre champanhe e espumante reside na origem: apenas o produzido na região de Champagne, na França, seguindo regras específicas, pode ser chamado de champanhe.
A redução de tarifas será aplicada mesmo durante a fase provisória do acordo, que enfrenta resistência de produtores rurais europeus, especialmente franceses, temerosos da maior competitividade dos produtos sul-americanos. O acordo foi assinado em 17 de janeiro, após mais de 25 anos de negociações, mas o Parlamento Europeu o enviou ao Tribunal de Justiça da UE para revisão jurídica, o que pode atrasar sua implementação definitiva.
Roberto Kanter, professor da FGV, acredita que a redução do imposto pode baratear o preço dos vinhos e ampliar a variedade de rótulos europeus no país. “A Europa, diferentemente do Brasil, reúne alguns dos maiores produtores de vinho do mundo — como Itália, França e Espanha —, o que permite a oferta de bebidas mais baratas”, explica. Ele ressalta que “com as tarifas atuais, é melhor você importar um vinho de 15 euros do que de cinco. Por quê? Porque a tarifa do imposto acaba igualando todos eles em uma faixa semelhante de preço e o cliente brasileiro que compra vinho da Europa já está disposto a pagar mais caro por ele”.
Kanter prevê que a redução gradual da taxa estimulará as empresas brasileiras a diversificarem suas compras e a apostarem em vinhos europeus de menor preço. “Eu acredito que o consumidor brasileiro vai ser beneficiado. Ele vai passar a ter acesso a uma oferta muito maior de vinhos de qualidade média, a preços extremamente competitivos, muito mais do que você encontra hoje no mercado”, afirma. José Niemeyer, do Ibmec-RJ, concorda, esperando que o brasileiro “vá tomar vinho mais barato” devido ao aumento da concorrência.
Ambos os especialistas enfatizam que a diminuição de preço não será imediata, mas ocorrerá gradualmente.
Com informações do G1