Um grupo de veículos de imprensa dos Estados Unidos, liderado por gigantes como o “New York Times” e o “New York Daily News”, entrou com um pedido em um tribunal federal de Manhattan nesta quinta-feira (9) para que a OpenAI, empresa criadora do ChatGPT, seja sancionada judicialmente.
A disputa central gira em torno dos direitos autorais. Os jornais alegam que a OpenAI mentiu deliberadamente ao tribunal sobre a sua capacidade técnica de pesquisar nos próprios sistemas provas de que milhões de reportagens foram utilizadas indevidamente para treinar seus modelos de inteligência artificial (IA).
De acordo com a petição, a OpenAI afirmou falsamente que não conseguiria realizar buscas em seus grandes modelos de linguagem para encontrar materiais protegidos por direitos autorais. No entanto, os veículos afirmam que a empresa ocultou o fato de que já havia realizado esse tipo de pesquisa antes mesmo de a primeira ação judicial da imprensa ser protocolada.
Além disso, os jornais denunciam que a OpenAI teria excluído bilhões de conversas do ChatGPT que seriam relevantes para o processo ou, alternativamente, as tornou impossíveis de serem pesquisadas, dificultando a coleta de evidências.
Diante disso, os veículos solicitam que o tribunal aplique sanções severas, que incluem o pagamento de honorários advocatícios. Eles também pedem que a Justiça reconheça formalmente que os registros de conversas da OpenAI comprovam a utilização indevida de obras protegidas.
A ação original, iniciada pelo New York Times em 2023, aponta que a OpenAI e sua principal investidora, a Microsoft, utilizaram milhões de artigos sem autorização para alimentar a base de conhecimento do ChatGPT.
O caso reflete uma tendência global de conflitos entre criadores e empresas de tecnologia. Autores, artistas visuais e gravadoras também movem processos contra empresas como Meta e Anthropic por práticas semelhantes de treinamento de IA.
“Por mais de dois anos, a OpenAI mentiu para o The Times, para os demandantes do Daily News, para o público e para o tribunal”, declarou Ian Crosby, advogado principal do New York Times, em comunicado oficial.
Crosby detalhou que “A empresa alegou que pesquisar os resultados do ChatGPT em busca de cópias do conteúdo do The Times e dos demandantes do Daily News era inviável, oneroso e invasivo da privacidade dos usuários, ao mesmo tempo em que ocultava que já havia realizado essas pesquisas”.
Embora a OpenAI tenha sustentado anteriormente que não possuía ferramentas para vasculhar seus conjuntos de dados, a nova petição revela que um funcionário da própria empresa testemunhou que a companhia já havia “realizado várias pesquisas por conteúdo dos demandantes do Daily News”.
Até o momento, porta-vozes da OpenAI não responderam aos pedidos de comentário sobre a nova petição apresentada ao tribunal.
Com informações do G1