Vinte e seis ex-funcionários da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, entraram com uma ação judicial contra a companhia nos Estados Unidos. A acusação é grave: a empresa teria utilizado um sistema de inteligência artificial (IA) para selecionar quem seria demitido, prejudicando deliberadamente trabalhadores com deficiência ou aqueles que haviam tirado licença médica.
De acordo com o processo, obtido pela agência Reuters, a ferramenta de IA teria selecionado de forma desproporcional funcionários nessas condições durante um processo de demissões em massa. A ação foi protocolada na última segunda-feira (13) em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia.
Os autores do processo, que mantêm anonimato, afirmam que a Meta utilizou critérios como produtividade e o nível de uso de ferramentas de IA para decidir quem sairia da empresa. Segundo a acusação, esses parâmetros acabaram penalizando quem precisou se afastar do trabalho por questões de saúde, violando leis federais e estaduais que proíbem a discriminação ou retaliação contra grávidas, pessoas com deficiência ou em licença médica.
Em resposta, a Meta negou as acusações e afirmou que elas não possuem fundamento. “As decisões sobre gestão de funcionários e organização da empresa foram e continuam sendo tomadas por pessoas, não por inteligência artificial”, declarou um porta-voz da companhia à Reuters nesta terça-feira (14).
O imbróglio acontece após uma onda de cortes iniciada em maio, quando a Meta demitiu cerca de 8 mil funcionários. A medida faz parte de uma reestruturação para focar recursos no desenvolvimento de IA. Segundo dados da Bloomberg, esses desligamentos representaram aproximadamente 10% da força de trabalho da empresa, que contava com cerca de 78.900 funcionários no fim de 2025.
As notificações de demissão começaram pelos trabalhadores da Ásia e depois chegaram aos Estados Unidos. Até o momento, não há confirmação sobre o impacto desses cortes em funcionários da Meta no Brasil.
Além das demissões, a tensão interna cresceu com a realocação forçada de cerca de 7 mil funcionários para áreas ligadas à inteligência artificial. Janelle Gale, diretora de recursos humanos da Meta, justificou a movimentação como um esforço para tornar a empresa mais eficiente e compensar os altos investimentos no setor.
A corrida tecnológica tem custado caro. A Meta planeja investir entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em 2026 (aproximadamente R$ 570 bilhões a R$ 670 bilhões) em infraestrutura, incluindo a construção de centros de dados e a compra de chips. Recentemente, a empresa fechou um contrato de pelo menos US$ 60 bilhões com a fabricante AMD para a aquisição de milhões de processadores.
Com informações do G1