Ministério da Defesa alerta para riscos de retaliação comercial contra EUA

Um documento técnico elaborado pelo Ministério da Defesa indica que a aplicação da Lei da Reciprocidade, como forma de retaliação comercial do Brasil contra os Estados Unidos, poderá gerar consequências negativas para o setor nacional de defesa e segurança.

De acordo com a análise, os principais riscos incluem a perda de contratos importantes, o aumento dos custos de projetos, a redução da competitividade do Brasil no mercado global, a queda de investimentos norte-americanos e a dificuldade de acesso a tecnologias sensíveis.

“É possível inferir que a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica trará impactos negativos para a Base Industrial de Defesa e Segurança. O setor poderá sofrer a perda de contratos com empresas norte-americanas e perda na competitividade internacional, pelo fato de ter em seu processo de produção insumos norte-americanos relevantes”, detalha o trecho da nota.

O documento complementa que “A retração de investimentos oriundos dos Estados Unidos também poderá ocorrer, o que demandará reconfiguração de cadeias de suprimento”.

O parecer técnico foi desenvolvido após o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, solicitar à Câmara de Comércio Exterior (Camex) que avaliasse a viabilidade de medidas retaliatórias. O objetivo era responder às sobretaxas recentemente impostas por Washington a diversos produtos brasileiros.

O clima de tensão comercial cresceu depois que o governo dos EUA implementou duas etapas de tarifas adicionais sobre mercadorias do Brasil. Embora o governo brasileiro tenha enviado documentações ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), as tentativas não geraram resultados práticos.

Mesmo que a indústria de defesa já esteja sentindo os efeitos das sobretaxas americanas, o Ministério da Defesa acredita que responder com novas tarifas não trará benefícios para a indústria nacional.

Entre as empresas brasileiras que mais exportam para os EUA estão a Embraer, CBC, Taurus, Nitroquímica, CSD e RJC. Esses negócios envolvem o envio de munições, compostos químicos, detonadores e peças para aeronaves.

Um ponto central de preocupação é a forte dependência de insumos e componentes dos Estados Unidos nas linhas de montagem brasileiras. Se o Brasil aplicar tarifas, esses materiais ficarão mais caros, o que pode inviabilizar os custos de produção e prejudicar programas estratégicos das Forças Armadas.

A fabricação do cargueiro KC-390, por exemplo, depende de subsistemas e peças de fornecedores americanos. Da mesma forma, embarcações desenvolvidas pela Marinha do Brasil utilizam componentes dos EUA.

Além do impacto financeiro, a nota técnica adverte que Washington pode endurecer as regras de controle de exportação de tecnologias sensíveis como resposta à adoção da reciprocidade brasileira.

Por conta disso, a equipe técnica do Ministério da Defesa sugere cautela, recomendando que a prioridade seja o diálogo entre as esferas diplomática e empresarial.

O órgão conclui que a retaliação tarifária obrigaria o país a realizar uma “reconfiguração intempestiva” de suas cadeias globais de suprimento, o que poderia comprometer a posição do Brasil no cenário internacional.

Com informações do G1

Deixe um comentário