O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lançou a cartilha ‘Os Povos Indígenas e o Futuro’, uma ferramenta pedagógica em histórias em quadrinhos (HQ) que serve como manifesto e compêndio de saberes tradicionais. Desenvolvida com a participação de jovens indígenas, a publicação utiliza personagens como Manu e Dentinho para explicar, de forma didática, como as mudanças climáticas impactam as comunidades, inclusive aquelas em periferias urbanas.
A obra conecta a violência da colonização europeia às estruturas atuais de poder, abordando conceitos como a colonialidade do poder. O material detalha como a concentração de terras e o racismo permanecem como pilares de dominação, refletindo-se em favelas e baixos salários, agora potencializados pelo neoliberalismo

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Longe de um discurso vitimista, a cartilha destaca a resistência ativa dos povos originários e conquistas jurídicas, como a derrubada parcial da tese do marco temporal pelo STF em 2025. O conteúdo também aborda a diversidade das lutas, desde o Acampamento Terra Livre (ATL) até a educação escolar indígena e a realidade de quem vive em contextos urbanos.
Um ponto central é a crítica ao capitalismo, que encara a natureza como mercadoria. A publicação questiona soluções “falsamente verdes”, como o crédito de carbono, e critica a COP 30, realizada em Belém, por priorizar planos globais que ignoram saberes locais
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No encerramento, a obra defende que “comer é um ato político”, propondo que a produção de alimentos seja controlada por agricultores indígenas, quilombolas e pescadores tradicionais. A cartilha conclui com um chamado à ação, alertando que “sem um país livre do capitalismo e da opressão, os povos indígenas nunca terão paz”.
Com informações do Portal Amazônia.