Painéis de caule de açaí na Amazônia: o que muda para o produtor rural

A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) conquistou uma carta-patente do INPI para a criação de painéis produzidos a partir do caule do açaizeiro. A tecnologia converte a parte mais densa e fibrosa do caule, que antes era descartada, em um material de alta resistência mecânica, ideal para a construção civil, fabricação de mobiliários e objetos diversos.

Para os produtores rurais da região, a inovação representa uma nova fonte de receita. Além de comercializar os frutos, as famílias poderão vender o caule excedente para a indústria, agregando valor ao manejo sustentável. Segundo o pesquisador João Thiago Rodrigues de Sousa, a patente “consolida o trabalho das populações rurais que manejam o açaí para abastecer o mercado com os frutos”.

Ufopa obtém patente para produção de painéis a partir do caule do açaí
Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa

O desenvolvimento, assinado por docentes da Ufopa e da USP, visa estimular a bioeconomia amazônica. O pesquisador Bruno Balboni reforça que “a madeira de açaí é uma forma de fornecer uma fonte de renda extra para o produtor de açaí, agregando valor ao resíduo do manejo do açaizeiro, estimulando a prática que possui o benefício de aumentar a produção dos frutos”.

A tecnologia já ganhou destaque em eventos globais e regionais, como a COP 30 e a XVII Feira da Indústria do Pará (Fipa) 2026, em Belém. O próximo passo da equipe de pesquisadores é analisar a viabilidade de comercialização para inserir o produto definitivamente no mercado industrial.

Com esta conquista, a Ufopa soma agora 11 pedidos de patentes, incluindo soluções baseadas em gordura de murumuru e pigmentos de jambeiro-vermelho. A instituição busca consolidar a ciência conectada aos desafios da Amazônia e a valorização do conhecimento produzido localmente.

Com informações do Portal Amazônia.

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