A polícia da República Tcheca anunciou, nesta terça-feira (2), a acusação de quatro pessoas e de uma empresa não identificada por envolvimento em um esquema de tráfico humano. O grupo é suspeito de coagir jovens mulheres a produzirem conteúdo erótico para serem comercializados em contas do OnlyFans e em outras redes sociais.
De acordo com as investigações, a organização criminosa focava o recrutamento em mulheres com pouco mais de 18 anos. Os suspeitos se aproveitavam da imaturidade, da falta de experiência e da vulnerabilidade social das vítimas para assumir o controle total sobre a produção e a distribuição do material, retirando das jovens qualquer autonomia sobre o uso de suas imagens.
O modus operandi consistia em conquistar a confiança das vítimas para, em seguida, convencê-las a produzir fotos e vídeos eróticos. Para formalizar a exploração, os acusados faziam com que as mulheres assinassem contratos de representação para redes sociais, com foco principal no OnlyFans.
A polícia revelou um detalhe alarmante sobre a gestão das contas: “As vítimas geralmente não tinham acesso aos perfis criados com seus dados pessoais”. Isso permitia que os criminosos controlassem todo o fluxo financeiro e a interação com os assinantes.
Para manter as mulheres sob controle e forçá-las a produzir conteúdos cada vez mais explícitos, os suspeitos utilizavam táticas de pressão psicológica, ameaças de aplicação de multas contratuais e a retenção deliberada de pagamentos. O esquema, segundo as autoridades, movimentou pelo menos 3,6 milhões de coroas tchecas, valor estimado em cerca de US$ 173.000,00.
O OnlyFans, plataforma criada em 2016, permite que criadores de conteúdo vendam acesso a fotos e vídeos, incluindo material sexualmente explícito. Embora seja uma fonte de renda milionária para alguns, a plataforma tem sido alvo de diversas denúncias globais. Até o momento, a empresa não respondeu aos pedidos de comentário sobre o caso.
O problema da pornografia não consensual na plataforma não é isolado. Uma investigação da Reuters publicada em 2024 apontou que mais de 120 pessoas nos Estados Unidos procuraram a polícia alegando que imagens suas foram publicadas sem consentimento. No Reino Unido, ao menos 17 casos semelhantes foram reportados às autoridades.
Com informações do G1