Recuperação de águas na Amazônia: o que muda para quem vive na região

Após dois anos de seca severa, a Amazônia apresentou sinais de recuperação em 2025, com a superfície de água ficando 2,6% acima da média histórica. Segundo dados do MapBiomas, os estados do Pará e Amazonas foram os que registraram os maiores ganhos, com acréscimos de 142 mil e 87 mil hectares, respectivamente.

Apesar do cenário positivo, a melhora não foi uniforme em todo o bioma. Cerca de 37% das sub-bacias ainda apresentam níveis abaixo da média, o que impacta diretamente as comunidades ribeirinhas, especialmente aquelas situadas a até 50 km dos 12 principais rios da região

águas do rio negro em manaus sob a ponte phelippe daou
Rio Negro. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

.

O pesquisador Bruno Ferreira, do MapBiomas e Imazon, alerta que a recuperação é um sinal positivo, mas a situação a longo prazo permanece preocupante. “Eventos climáticos extremos estão cada vez mais frequentes, além de sinais de instabilidade no regime hídrico, influenciados tanto pelas mudanças climáticas quanto pelas transformações no uso da terra”, afirma.

O relatório também revela uma tendência preocupante de queda na superfície de água no Brasil desde 1985. Enquanto a Amazônia concentra a maior área de água natural do país (10 milhões de hectares), a média nacional vem reduzindo década após década, evidenciando a fragilidade dos ecossistemas hídricos.

Em contraste com a Amazônia, o Pantanal continua em situação crítica, sendo o único bioma onde todos os meses de 2025 ficaram abaixo da média histórica. No cenário nacional, o Cerrado se destaca negativamente por ter a maior proporção de águas concentradas em hidrelétricas, com apenas 34,4% de superfície natural.

Com informações do Portal Amazônia.

Deixe um comentário