A Floresta Amazônica guarda segredos sobre sua capacidade de regeneração que podem ser a chave para a sobrevivência do bioma. O pesquisador Davi Moreno-Mateos, da Universidade de Oxford, utiliza o sequenciamento genético de castanheiras-do-pará para entender como ecossistemas se recuperam espontaneamente após milênios de manejo humano e abandono de áreas cultivadas.
O estudo, apresentado na FAPESP Week Londres, revela que a domesticação indígena, que priorizou frutos maiores, pode ter reduzido a resiliência natural da espécie frente a secas e mudanças climáticas. Ao comparar o DNA de árvores jovens com espécimes de mais de 500 anos, a equipe notou que, ao serem “libertadas” da domesticação, as árvores retomam funções ligadas à sobrevivência

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Um ponto central da pesquisa é a análise da “terra preta”, solo fértil deixado por assentamentos antigos, que serve como registro histórico da ocupação da região. A integração entre arqueologia e ecologia mostra que a ocupação amazônica ocorreu em ondas, deixando um legado genético que persiste nas espécies atuais.
No entanto, o estudo traz um alerta severo sobre a velocidade da destruição versus a lentidão da cura natural. “Ao cortar a floresta sem pensar nas consequências, é preciso lembrar que qualquer ação tomada em dois dias com uma escavadeira levará séculos para ser reparada pela natureza”, advertiu Moreno-Mateos.
O objetivo final é identificar populações de castanheiras com maior resiliência genética. Esses indivíduos poderão fornecer sementes essenciais para estratégias de restauração florestal em um planeta em aquecimento, onde a adaptação será o diferencial entre a sobrevivência e o colapso dos biomas.
Com informações do Portal Amazônia.