Restos de pescado no Amapá: como projeto da Ueap gera renda para ribeirinhos

Um projeto da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) está transformando a realidade de comunidades ribeirinhas ao ensinar o reaproveitamento integral de sobras de peixes e crustáceos. Desenvolvida no Laboratório de Biologia Pesqueira e Beneficiamento, a iniciativa utiliza maquinário específico para converter descartes em produtos sustentáveis e novas alternativas de consumo regional.

Daniele Hoshino, coordenadora do projeto. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP

A coordenadora do projeto, Daniele Hoshino, explica que a pesquisa surgiu para combater o alto volume de resíduos do setor pesqueiro. “A ideia do projeto surgiu devido a um problema, que é a quantidade de resíduo de pescado gerado diariamente. […] Se ele for tratado de forma correta, pode servir tanto para a alimentação humana como para a alimentação animal”, destaca a pesquisadora.

Um dos focos principais é o arquipélago do Bailique, em Macapá, onde o descarte de camarão ocorre em larga escala. Para garantir que a tecnologia chegue ao ribeirinho, as metodologias foram planejadas para serem baratas e simples. Como resultado, a equipe já criou farinhas de saborização e petiscos utilizando o crustáceo de forma 100% integral.

camarões e restos de pescado são reaproveitados para criar petiscos e farinhas
Camarões reaproveitados geram criação de novos itens culinários. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP

A estudante Eloísa Freire, bolsista do projeto, detalha que a produção envolve a secagem dos resíduos a 60 graus por 48 horas, seguida de trituração e adição de especiarias como páprica e cebola. O processo une o aprendizado acadêmico à demanda real do mercado consumidor local.

Farinha de saborização produzida a partir do reaproveitamento do pescado. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP

Além do impacto ambiental, a Ueap busca integrar ensino, pesquisa e extensão. “Enquanto universidade, a gente se preocupa muito em trabalhar nos três eixos […]. No ensino, fazemos a aplicação das disciplinas; na pesquisa, pensamos na aplicação de novas tecnologias; e na extensão, buscamos levar as nossas tecnologias sociais além dos muros da universidade”, conclui Eloísa.

Com informações do Portal Amazônia.

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