Sanções dos EUA provocam saída de empresas estrangeiras de Cuba

Empresas estrangeiras começaram a retirar suas operações ou a reduzir drasticamente suas atividades em Cuba. O movimento ocorre a poucos dias do prazo final estabelecido pelos Estados Unidos para que companhias internacionais rompam vínculos com o Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), um conglomerado econômico-militar ligado às Forças Armadas cubanas e alvo de sanções de Washington.

A medida é reflexo de uma ordem executiva assinada em 1º de maio pelo presidente americano, Donald Trump. No documento, Trump endurece as sanções contra a ilha, afirmando que Cuba representa “uma ameaça extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos. Além do aperto contra o Gaesa, a administração Trump mantém, desde janeiro, um bloqueio petrolífero rigoroso contra a nação caribenha.

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), do Departamento do Tesouro dos EUA, definiu a próxima sexta-feira (5) como a data limite para que as empresas ajustem suas operações. Caso não o façam, as companhias podem enfrentar sanções severas, que incluem a proibição de operar com bancos americanos, o congelamento de ativos e a perda de acesso ao sistema financeiro internacional, dificultando a realização de transações cambiais.

O setor de turismo foi um dos mais afetados. A rede espanhola Meliá anunciou que encerrará a gestão de 15 hotéis operados em parceria com o Gaesa. Em comunicado, a empresa afirmou que “diante dos acontecimentos e circunstâncias que vêm ocorrendo no contexto geopolítico, social, jurídico e econômico da República de Cuba”, decidiu concluir a prestação de serviços de gestão e comercialização dessas unidades.

Outras redes, como a espanhola Iberostar e a canadense Blue Diamond, também anunciaram retiradas parciais ou totais. A Iberostar deixou de administrar 12 hotéis ligados ao Gaesa, enquanto a Blue Diamond encerrou suas atividades citando a pressão dos EUA sobre o setor. O grupo asiático Archipelago International também avalia limitar sua presença na ilha.

Além do turismo, a mineração também sente o impacto. A canadense Sherritt, que extraía níquel e cobalto desde a década de 1990, tornou-se a primeira empresa estrangeira a anunciar sua saída total em 7 de maio.

Para o economista e consultor cubano Daniel Torralbas, a saída dessas companhias gera um efeito devastador no curto prazo. Segundo ele, isso “transforma 2026 no pior ano da história econômica de Cuba nos últimos 70 anos”.

O cenário é agravado pelas denúncias do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que acusa a liderança cubana de corrupção via Gaesa. O conglomerado, fundado pelo ex-presidente Raúl Castro, possui ativos avaliados em 18 bilhões de dólares (R$ 90,3 bilhões) e controla cerca de 70% da economia de Cuba. O governo cubano, por sua vez, defende que o grupo foi criado para gerar divisas e contornar o embargo americano vigente desde 1962.

Com informações do G1

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